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domingo, 24 de maio de 2015

E se te pegarem no hangout?


Ele: “Tu desistiu do nosso rolo, né?
Ela: “kkkk”
Ele: “tu precisa de um sexo louco e descontrolado com um amante. Vai te fazer bem.”
Ela: “é tentador …”
Ele: “é nada. Tu não quer! Fica fugindo.”
Ela: “to não.”
Ele: “tá não o q?”
Ela: “não estou fugindo … ora!”
Ele: “então… Diz que topa. Diz que topa….”
Ela: “Topo!”
Ele: “SÉRIO???????????”
Ela: “kkkk. Ué. Quando tu pode vim para cá?”
Ele: “E a consciência pesada? Esqueceu?
Ela: “CLARO Q NÃO. MAIOR CULPA!”
Ele: “He, he, he”.

Essa conversa, assim como está, foi acompanhada, em uma espécie de cena de filme, tipo 50 Tons de Cinza, por um terceiro personagem, não um voyer desses que gostam de espiar textos picantes, mas por um personagem involuntário – um marido em estado de choque. Não são apenas os jovens a expor fantasias e desejos íntimos nesta grande rede virtual. A turma graúda também anda a fazer das suas estripulias. E depois, muitos deles, ainda saem a pregar moral, literalmente de cuecas e calcinhas, como bons noivos ou cônjuges.

Distraída, a esposa utilizara o computador do escritório do marido e não percebera que o bate-papo do Google, sempre tão prático, desgraçadamente salvara sua senha. É claro que a conversa  tinha detalhes muitos mais íntimos, incluindo o envio de fotos, semelhantes àquelas das meninas de Encantado. Justificam a necessidade de uma aventura assim, para aliviar a dormência de seus casamentos. Esta seria a grande vantagem de um "rolo" sem compromissos.

Com toneladas de conversas explícitas gravadas – a maioria impressa no bom e velho papel – o esposo foi cobrar explicações da esposa. em seu momento mais irado, pensou em divulgar para todos os amigos comuns do casal, no Facebook. Mas ao conversar com ela, que desabou em choro e depressão, apiedou-se. Percebeu que passaria a falsa imagem de marido frouxo, desatento. Sabia de centenas de outros casos iguais, com mensagens absurdamente semelhantes. Era mais um a enfrentar o lado perverso das redes sociais.

Confidenciou os detalhes a um único amigo. É uma dor difícil de lidar sozinho, engalfinhado em pensamentos turvos e malvados. E passou a alertar a todos que conhece, fossem jovens ou maduros, sobre as arapucas digitais online que, fatalmente, podem levar o jogo amoroso de um casal, a um quebra-cabeças de culpas e fantasias sem controle. De pior forma, percebia que a internet, afinal de contas, também poderia levar muitos a agirem com alguma moral, em relação a seus pares. Ou a reforçarem os cuidados com senhas e códigos de segurança online, que evitariam sustos.

A esposa implorou para que a relação fosse retomada, ela o amava acima de tudo. Ele não duvidava disso. Mas amor é uma coisa, caráter  outra. E o encanto, a alegria da relação, estavam  definitivamente abalados. E tu, amigo leitor, como agiria em caso semelhante?