Faça uma luz se acender.
Basta você pensar
e fazer por merecer.
Inspire profundamente,
embriague-se de cor,
imagine intensamente
que o mundo é paz, luz e amor.
Se é o que deseja,
o que o coração almeja,
siga feliz, pois,
que assim seja!
(Léa Aragón)
Olhou em volta e percebeu que não poderia ir mais à frente. Todas as propostas de trabalho haviam sumido repentinamente. A aposentadoria típica de um brasileira comum, sem supersalários, sem poupanças no exterior, lhe permitia apenas pagar o aluguel, luz, água e a cesta básica, sem muitas excentricidades. Excelente profissional, estava habituada com o trabalho de free-lancer. Mas as oportunidades, andavam.escassas. Todas as atividades remuneradas - de uma hora para outra -, passaram a ser transferidas para o próximo ano ou definitivamente canceladas. E o cheque especial estourado no banco. As dívidas apertando, estrangulando...
Saía da agência bancária, onde pagara o aluguel. Sim, olhava em volta e tudo o que via era a nuvem úmida de lágrimas sem perspectivas. E foi no no ápice do desespero que percebeu, vindo na direção contrária, uma ex-colega. Abraçaram-se e quando a outra perguntou como andava a vida, desabou! Que vida? Não suportava mais a pressão do cotidiano. Sempre fora uma guerreira declarada. Exemplo de sobrevivência, agora queria sua cota de sossego. Será que seria assim até o fim? Fizera tudo errado? Não tinha mais energia para tanto revés, afirmava desabando nos ombros da amiga.
As duas nunca se cruzavam embora vivessem próximas. Mas aquele momento fora decisivo para acionar uma corrente imediata de solidariedade. Sensibilizada, a amiga chegou ao trabalho e comentou a situação. Todos também, em suas maioria, eram ex-colegas daquela que passava por seu momento difícil. Em questão de minutos mobilizaram uma corrente de ajuda. Arrecadaram uma quantia razoável, produziram um imenso cartão de Natal carregado em mensagens de apoio e na segunda-feira passada, o entregaram.
Ela que se achava isolada, sem ter a quem recorrer, de uma hora para outra, tinha a certeza de não estar sozinha. De que a vida não é fácil, é injusta em muitos momentos, mas também é feita de afeto e reconhecimento. Todos ali, de uma forma ou outra haviam se colocado no lugar da sofrida colega. Alguns nem a conheciam, mas sabiam que acendiam, em um momento muito especial, a luz bonita do espírito natalino.
Essa luz é simbolizada por uma manjedoura para cristãos e para o resto da humanidade, seja qual for a orientação religiosa, de centelhas de amor ao próximo. Presente bom é esse que ofertamos sem pensar em nada em troca a não ser a renovação da fé.




