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sexta-feira, 22 de abril de 2016

Bela, recatada e do lar

Minha mãe era tudo isso. Qual o problema?
Como não poderia deixar de ser, debaixo de toda crise sempre pode haver uma polêmica de costumes. A revista Veja nos cedeu oportunidade para um novo debate a respeito da condição feminina e o poder, justo quando uma mulher, a primeira presidente (a), está com o cargo à perigo. “Bela, recatada e ‘do lar,” é o título da reportagem sobre Marcela, a linda e jovem esposa do vice-presidente Michel Temer (PMDB) que, dependendo do que o Senado decidir, será a futura primeira dama dos brasileiros.

Da presidenta Dilma Bolada à primeira dama Marcela do lar! As redes sociais, ávidas por extremismos digitais exibem centenas de comentários e memes onde retratam mulheres ofendidas com o texto da revista e de, outras, uma minoria, indiferentes ou que defendem a condição da moça. Não será a esposa de político que mudará os rumos da nação. Marcela seguirá como pálida personagem na insólita cena política brasileira.

E se é do lar, que bom para ela. Qual o problema? Eu sou filho de uma mulher que cuidou da casa a vida inteira, muito bonita e recatada. Nada a diminuiu por isso. Hoje as mulheres podem realizar outros sonhos. A presidente Dilma Rousseff que luta por manter-se no cargo tem um perfil diferente. Atua no mundo que antes era dominado exclusivamente por homens, mas que já abriu espaços para tantas outras em todo o mundo.

Vejam Hillary Clinton, que nunca foi sombra de seu marido presidente e ainda segurou uma barra quando o maridão aproveitou-se do pouco recato de uma estagiária. Minha amiga Fabiane Tomazi Borba, competente advogada, mulher pública, adjunta no comando da Secretaria Especial dos Direitos Animais, questiona o preconceito embutido nos comentários de muitos de seus amigos no Facebook, que paradoxalmente defendem o direito de cada um ser “e fazer o que quiser, onde quiser”, e no caso de Marcela Temer, acreditarem ser ofensivo considerá-la “bela, recatada e do lar”.

Fabiane diz que também não entenderia se a crítica fosse ao contrário, ou seja, contra qualquer pessoa, defenestrada por ser feia, pouco recatada, totalmente sem pudor, mal ou bem vestida, trabalhasse fora, dobrasse o turno e ainda estudasse à noite, além de cuidar da casa e dos filhos. “Afinal, cada um tem direito de ser aquilo que quiser! Não é isso que todos pregam? Ao menos aqui nas redes sociais, é!” alertou.

Está certíssimo. Se falta recato, é no universo político por onde anda seu ilustre esposo. Lá, belos e feios, fazem tudo em nome do poder. Permanecer em casa, sob certo aspecto, a protege das negociatas, das atrocidades que levam o bem comum ao caos. E vivam as mulheres de bem com o lar, de bem com o trabalho, de bem com a vida. O resto é guerrilha de rede social. Pífia!

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