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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

O maior espetáculo de Porto Alegre em 2009



O espetáculo do ano em Porto Alegre? “As Várias Faces da Música” que assisti no lotado Teatro Companhia da Arte, na Rua da Praia foi com certeza o must cultural deste 2009.

Tinha como sugere o título, música flamenca, jazz, rock street dancing e a música alegre de um autêntico acampamento cigano. 
Dezenas de artistas muito bem ensaiados, com figurinos bem transados, coloridos. Qualidade profissional, gente.

A direção de tudo isso? Ora, da filhota Lísia, com o apoio dos outros rebentos, Tiago e Tárik.

E um grupo de artistas da mais alta qualidade. Em meu próximo post, darei os nomes de todo elenco possível. É claro que o fato de ter familiares ligados diretamente ao show, não influiu em minha avaliação.

Mas que bateu um pai-curuja, bateu. Olhem algumas das fotos, selecionadas pela não menos competente Magali Beckmann.

E aguardem! Quem sabe em 2010 eles não retornam, com mais atrações


?


terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Final de ano tem que ter balanço. A-la-la-ô!


“Lá se foi meu décimo terceiro salário e eu havia jurado que apagaria as contas e não me endividaria...”. Quanta gente a reclamar dos juros, dos salários congelados e principalmente, da impossibilidade de se cumprir com as promessas feitas há quase um ano, entre abraços e citações tipo, “ano novo, vida nova”.  “Não emagreci, não arranjei um emprego melhor e ainda não consegui concluir a faculdade. Ainda por cima estou querendo juntar os trapos com meu namorado”, me disse uma colega. Ela está em um grupo muito seleto e reduzido em nosso país: dos que tem emprego e renda fixa.

 “Meu pai vive de bicos. Ele é contabilista formado e aos 50 anos não consegue mais trabalho fixo. Está longe da aposentadoria e nem pensa em parar”, me conta. Lembra que o plano da família era montar um pequeno negócio, um bazar de miudezas. “Mas o cinto apertou e as reservas se  foram”, lamenta. Vai casar em março e jura que para 2010, fará uma poupança nem que seja de centavo em centavo. Torço para que a vida a dois, seja farta em amor e equilíbrio. 

Temos de planejar nossa vida dentro de metas possíveis. Começamos com todo o gás e a passagem dos meses, transforma alguns sonhos em insônia. Então, o ideal é concluir o iniciado, ou seja, o estudo, a manutenção do atual trabalho. Aos pingos também se enche a terrina da esperança. É só não perder de vista o objetivo principal. E quanto mais realista este for, mais próximo e visível estará. Não é assim?

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Ressaca natalina e o melhor presente de 2009


Encerrados os festejos de Natal, retornamos à vida cotidiana que neste período, tem lá suas características bem específicas. Por exemplo, aquela ressaca de todos os excessos. Da ceia aos presentes. O movimento nas ruas segue assim, no mesmo estilo. Lento, como se a pressa ainda não houvesse acordado após o almoço de domingo. Aliás, tem pouca gente em Porto Alegre. Muitos esticaram o feriadão. Felizardos!


Hoje é dia de trocar os mimos que o Papai Noel deixou e que não combinaram conosco. Nesta manhã, tinha até uma consultoria no rádio sobre como agir nesses casos. De qualquer maneira, pecebi que o Natal anda meio desvirtuado. Sabe, o contexto da fraternidade universal? Está fraquinho, fraquinho.


Teve muito mais gente a se preocupar com o gordo Papai Noel, esquecendo o quesito básico desta data que é a família. Que data maravilhosa para se aparar arestas, exercer a tolerância e agir civilizadamente. Será que somos tão superiores assim que não conseguimos tirar daquele imenso saco a tão sofrida harmonia?


Posso ser o maior dos tolos, estar envelhecendo e assim, me transformando em um cara maleável demais, sem amor próprio diriam. Mas não sei acordar e dormir abraçado a um  rancor. Arre sentimento tosco e vil! Acho uma atitude tão exacerbadamente desqualificada que, ao meu ver, esgota o termo egoísmo a um limite máximo.


Quantos perderam mais uma chance de simplificar a vida. E a vida a gente simplifica com tolerância e um sorriso bonito no olhar. A mão sempre estendida ao entendimento. E não me venham dizer que esgotaram a paciência e opções de entendimento. Porque para quem quer viver bem, essas são infinitas e se renovam com um único sentimento: boa vontade.


Orgulho, amor próprio? Ora, isso não é presente e nem se troca no comércio. É conquista! 

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Outra fábula de Natal


Tudo vai mudar.
Faça uma luz se acender.
Basta você pensar
e fazer por merecer.
Inspire profundamente,
embriague-se de cor,
imagine intensamente
que o mundo é paz, luz e amor.
Se é o que deseja,
o que o coração almeja,
siga feliz, pois,
que assim seja!
(Léa Aragón)







Olhou em volta e percebeu que não poderia ir mais à frente. Todas as propostas de trabalho, repentinamente, haviam sumido. A aposentadoria típica de um brasileira comum, sem supersalários, sem poupanças no exterior, lhe permitia apenas  pagar o aluguel, luz, água e a cesta básica. Nada de excentricidades. Excelente profissional, estava habituada com o trabalho autônomo. Mas as oportunidades, andavam ralas. Todas as atividades remuneradas - de uma hora para outra -, por triste acaso haviam sido transferidas para o próximo ano ou definitivamente canceladas.  O cheque especial estourado no banco. As dívidas a apertá-la.

Saiu da agência bancária, onde pagara o aluguel e olhou ao redor: tudo o que via era a nuvem úmida das lágrimas sem perspectivas. E foi no no ápice do desespero que percebeu, vindo na direção contrária, uma ex-colega. Abraçaram-se e quando a outra perguntou como andava a vida, desabou! Que vida? Não suportava mais a pressão do cotidiano. Sempre fora uma guerreira declarada. Exemplo de sobrevivência, agora queria sua cota de sossego. Será que seria assim até o fim? Fizera tudo errado? Não tinha mais energia para tanto revés, confessou em seu desabafou. 

As duas, embora vivessem próximas, nunca se cruzavam. Típico nas cidades dos apartamentos e grades. Mas aquele momento acabou decisivo para acionar uma corrente imediata de solidariedade. Sensibilizada, a ex-colega chegou ao trabalho e comentou a situação. Em questão de minutos arrecadou uma quantia razoável, produziu um imenso cartão de Natal carregado em mensagens de apoio e na segunda-feira passada, o entregaram. 

Ela que se achava isolada, sem ter a quem recorrer, de uma hora para outra, tinha a certeza de não estar sozinha. De que a vida sofrida, injusta em muitos momentos, mas também é feita de afeto e reconhecimento. Todos ali, de uma forma ou outra haviam se colocado em seu lugar. Alguns que nem a conheciam, mas sabiam o espírito natalino é justamente isso. Vai muito além da propaganda comovente das grandes redes do comércio. 

O nascimento do filho de Deus, para os cristãos ou um voto de amor ao próximo para o resto da humanidade, seja qual for a orientação religiosa, esse período de estresse, de cansaço após um ano sempre difícil, não impede que se olhe, ao menos uma vez, para o lado e promover um ato singelo como este, ocorrido na vida real e por isso mesmo, muito mais intenso do que um filme institucional, feito sob medida para nos fazer chorar. 

Ao seu lado, na porta defronte, pode estar a chance de se fazer deste, um Natal inesquecível para alguém. Tudo vai mudar. "Faça uma luz se acender. Basta você pensar e fazer por merecer. Inspire profundamente, embriague-se de cor, imagine intensamente que o mundo é paz, luz e amor. Se é o que deseja, o que o coração almeja,
siga feliz, pois,que assim seja!"  (Mensagem de minha amiga, a jornalista Léa Aragón)
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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

A arte de devorar um lobo bobo


Alguém sabe quem é o autor da bela ilustração?
O personagem deste post é um notório mulherengo. Veterano, não toma jeito. Noite sim, noite não, fareja vítimas em bares de solteiros ou botecos comuns. Às tardes, costuma circular em shoppings. Lobo urbano, seduz senhoras carentes, balzaquianas enjoadas da imaturidade dos homens jovens. A maioria acaba engolida pelo tiozão igualmente imaturo. Ele as devolve amarrotadas, saciadas ao estilo fast food emocional. Recentemente perdeu a terceira e, pelo jeito, última esposa. “Ou tu muda, ou vou-me embora”, exigiu a mulher. Para manter a fama de mau, não pensou duas vezes: “Pode ir. Leva o que quiser contigo!” E saiu rumo a ilusão da madrugada.

Voltou no dia seguinte certo de que a encontraria aos prantos, a espera de romântica reconciliação e levou o maior susto ao deparar-se com a casa vazia. Peça por peça, lhe restara o eco dos passos como trilha sonora para um inesperado adeus. Ela o aguardava no quarto vazio. Abalado, tentou manter a fama de mau e ao olhar para o teto, ironizou. “Não tiraste o ventilador de teto. Esqueceu?” No mesmo dia, lá se ia o ventilador.

“Só as prestações ficaram comigo”, comentou abatido aos mais chegados. A ex era uma mulher de posses. “Mas o prazer da vingança foi maior do que a razão” calculou o lobo acuado. Sem outra opção, alugou apartamento de um quarto no centro de Porto Alegre. A lareira de ferro que a ex não conseguira retirar ele presenteou ao irmão e esposa, que poderiam utilizá-la na casa da campo. Ora, a ex era super amiga da cunhada e assim, um belo dia, após um churrasco percebeu a lareira jogada a um canto da garagem. Acabou levando o único objeto que não conseguira tirar. E aliviou a amiga de uma tralha inútil.

Mas um lobo bobo, como diz a canção, não aprende. Volta e meia, a ex propõe um jantar a luz de velas e ele aceita! A pele é fraca eu sei, mas cá entre nós: o lobo que se acha esperto, é o único “utensílio” do antigo lar que restara. Quem disse que não poderia ser utilizado? De preferência sem pudor. A diferença é que nestes encontros, no lugar do lobo agressivo, ela encontra um cordeirinho dócil e obediente, com medo de perder o que não tem.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Doce melancolia de uma noite feliz


Natal é assim: quanto mais próximo do dia 25, mais reminiscências provoca e com elas, um sentimento melancólico que deve ser assumido, nunca maquiado. O verdadeiro “espírito natalino” não significa esconder a tristeza mas sim enfrentá-la com dignidade. Se existe algo que me contagia positivamente é a agitação da cidade, a expectativa das crianças e também dos adultos em função na troca de presentes, por mais singelos que estes possam  ser. A sabedoria reside exatamente  no viver esta contraditória e perfeitamente possível “alegria melancólica”. 

Não conheço nada mais morno do que a canção “Noite Feliz” em seu compasso compungido e lento. Mas emociona, não é mesmo? Assim, ao assumirmos nossa melancolia natalina nos livramos da culpa de não ser sermos “felizes” como exigem todos. Se bater a saudade dos que partiram, ora,  isso é perfeitamente normal. Errado é disfarçar com sorrisos artificiais. Vai precisar aturar a nora ingrata e a sogra rabugenta? É Natal, confraternize e acredite, as horas passam mais rapidamente quando estamos nos divertindo. A tortura do rancor, da cara amarrada só faz mal.

Lágrima benta

E se na hora dos abraços, a meia-noite, escapar uma lágrima, por favor, vamos deixar que ela lave a tristeza como uma água benta que nos unge a alma de perdão. E aceitemos nossa melancolia como a prova mais definitiva do amor que nutrimos pelos que nos cercam ou um dia estiveram materialmente próximos a nós. Eu com certeza lembrarei o sorriso dos meus avós enquanto escondiam o presente dos netos até o último minuto e conseguiam fazer com que surgissem quase que magicamente debaixo da árvore de Natal sem que a criançada percebesse.

Como esquecer meu pai suando debaixo da barba de lã e de uma pesada fantasia vermelha que o transformavam em asfixiado Noel tropical. Nem ele, nem meus avós estão mais entre nós, assim como tantos outros familiares queridos. São uma melancólica lembrança que brindarei feliz por um dia ter dividido sorrisos e abraços em tantos natais.

Agradecerei a Deus pela graça de ainda estar aqui, ao lado dos que continuam sua missão terrena. Na verdade, aqueles que amamos, nunca nos abandonam, permanecem juntos, brindando conosco, vivos nas memórias que enfeitam a árvore da vida. O Natal é melancólico? Sim senhores, é melancólico, lindamentamente melancólico para quem não foge de sua missão, de sua própria história e a escreve com as linhas da fé, do amor e da capacidade de construir momentos felizes a partir destes sentimentos.

Triste mesmo é enfrentar as filas nas lojas, o olho vivo dos ladrões oportunistas nas ruas atulhadas de gente. Mas tudo bem, o maior presente é ter quem leia esse post e se identifique um pouco com ele.  

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

O bom velhinho

(artigo publicado em dezembro de 2005, na coluna do Zambiasi no jornal Diário Gaúcho de Porto Alegre. O texto conta uma história verídica, exemplo do verdadeiro espírito de Natal)

E lá vinha o “seu” Áureo pela rua, alisando a vasta barba, enquanto pensava em como equilibrar a aposentadoria curta com as compras de final de ano. De repente percebe que um menino de aproximadamente cinco anos, o seguia de olhos fixos, ao lado do irmão um pouco mais velho. “Papai Noel?” Pergunta o menorzinho. O maior imediatamente retruca: “Pára com isso. Papai Noel não existe!”  Mas Áureo sorri e provoca: “Estou aqui disfarçado. Não contem prá ninguém”. Os guris, incrédulos, riem. Mas ele insiste:

Bob Esponja

“Quem te disse que eu não existo? E por acaso não estou bem aqui na tua frente?” Puxa do bolso uma lista com sugestões de presentes que, casualmente, sua mulher havia preparado pensando nos netos. “Estou recolhendo pedidos. O que vocês gostariam de ganhar? E o pequenino mais do que depressa responde: “O Bob Esponja”. O segundo, sempre mais arredio, murmura: “Queria que meu pai voltasse para casa. Mas mataram ele”, diz, comovendo o amigo Áureo. A mãe dos meninos trabalhava como doméstica e já havia alertado que não ganhariam presentes.

Peixe e solidariedade

“É claro, vocês não me pediram nada”, argumentou Áureo, já incorporado na figura do bom velhinho. Horas depois, acompanhado da esposa e amigos, visitou a casa desta viúva, que afinal de contas, era vizinha de bairro. Juntos, combinaram uma parceria na preparação de uma ceia igual a que o falecido pai deles gostava: com peixe assado, com farofa de passas, pão e frutas. Os guris que nem parentes tem em Porto Alegre, vibraram de alegria. “Acho sou Papai Noel mesmo. Aliás, qualquer um pode ser. Não precisa barba ou barrigão. A solidariedade é que faz a diferença”, aprendeu Áureo, um exemplo vivo do que é o espírito natalino.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Há 29 anos, um louco tirava a vida de John Lennon


13h – John e Yoko são entrevistados por Davin Sholin para a Rádio RKO de Nova York.
14h – Sessão de fotos com John e Yoko para a revista Rolling Stone.
16h – John e Yoko deixam o Dakota e vão para o estúdio Record Plant. John é interceptado por MDC que lhe pede um autógrafo na capa de “Double Fantasy”. O momento em que John assina o disco é fotografado por um fã.
22h50 – John e Yoko retornam ao edifício Dakota.
22h52 – Na entrada no pátio do Dakota, MDC aborda John e dispara cinco tiros em suas costas. John é amparado pelo porteiro e por policiais que chegam em poucos minutos. MDC é preso e confessa o crime (seria condenado à prisão perpétua). John é levado ao hospital no carro da polícia. Yoko, histérica, segue em outra viatura.
23h07 – John Lennon é declarado morto.

(fonte: The Beatles Diary)


Estávamos na redação da Folha da Tarde quando chegou a notícia: John Lennon não sobrevivera aos cinco traiçoeiros disparos de um maluco. Lembro a expressão de espanto e profunda tristeza de todos. As lágrimas. Eu e o Paulo Acosta, abraçados chorando. Não tinha como evitar. Doía muito. Éramos da família beatle que nos embalara nas horas difíceis de um Brasil em fase de abertura política. No dia anterior havíamos escutado o disco novo de Lennon, que abria com  (Just Like) Starting Over. Era o recomeço do ex-beatle, após cinco anos de isolamento.

Agora estava lá, morto às vésperas das festas de final de ano. Nova Iorque decorada, em cada esquina um Papai Noel, vitrines decoradas com muita luz enquanto ironicamente, o hino pacifista, Happy Xmas (War Is Over), composto por Lennon em 1969 e lançada em 1971 tocava direto nas rádios de lá, e de todo o mundo. Ainda hoje é fenômeno de vendas e considerada a canção símbolo do Natal no Ocidente.

Gente assim como Lennon, criativos e contraditórios fazem falta sim. Mas o sonho não acabou, como ele próprio sentenciara, deprimido, ao final da carreira com os parceiros Paul, George e Ringo. Canções magníficas de Lennon continuam vivas. Imagine, Woman, In My Life, Help! e tantas outras.

Seria bacana ele hoje, aos 67 anos. Quem sabe agitando ao lado dos demais sobreviventes da banda que transformou o rock and roll em algo mais do que um sacudir de quadris ao som de três acordes básicos. Um louco o impediu em um 8 de dezembro.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Pra não depender de azuis ou vermelhos, basta não amarelar


Os vermelhos dependiam dos azuis. Trágica situação, criada principalmente, por falhas vermelhas que, em momentos decisivos de rodadas anteriores, amarelou. Ok, os azuis também não podiam sair de casa, porque igualmente, amarelavam. Não conseguiam uma única vitória fora de casa. Não seria agora, que chegariam a recuperação.

Mesmo assim, a gurizada que foi ao Maracanã não fez feio. Fez muito pior! Quase venceu aquele time ferida do Flamengo. Meu colega, o Henrique Candor, gremista mais fanático do que eu, desenvolveu a tese de que o time reserva tem jogadores “amigos de baladas e churrascos”  no tradicional adversário vermelho. Queriam dar o título de presente... Mas pro inimigo?

Assim, entraram com tudo. Vencer e mostrar serviço! Mantido fosse o 1 a 0 ou empate, torcedores como o Henrique baniriam bandeiras, títulos de sócio e qualquer lembrança de azul em suas vidas. Perder tudo bem, ajudar o inimigo, nunca!

Eu fiquei em cima do muro. Amarelei? Não queria sofrer a flauta vermelha nos próximos meses. Especialmente de amigos como a dupla Gilberto e Henrique Jasper, que a foto do Itamar Aguiar mostra acima. Estavam ali felizes com o esforço tricolor. Com certeza, o Grêmio não entregou o jogo. Mais uma vez, amarelou. É isso!

Assim, a partir de agora, quero ver mais azul, preto e branco. Deixa o amarelo pro Inter (veja o carinho do torcedor vermelho por sua camisa amarela, na mesma foto). A Libertadores vem aí! E sinto um vento secador chegando lá das bandas da Azenha. Secar pode, né?

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O que é moda, incomoda?


Ela entrou risonha, feliz. Dona de si. Buscava a sala de um fulano de tal. Vestia um legging tão justo que temíamos o pior quando curvou-se para resgatar, em uma imensa bolsa, o celular que disparava uma música da  Madonna. Tudo a ver! Por sorte, aconteceu o melhor. Nada se rompeu e naquela sala, a moça permaneceu íntegra, os rapazes eriçados e as mulheres, lívidas! Falta de senso estético, de respeito era o que mais se cochichava. “Isso é roupa de happy-hour,  shopping. Passear com um namorado”, sentenciavam aflitas, sob a concordância cínica dos machos da sala.

“O que é moda não incomoda”, diziam os antigos. Mas a moda clássica dos anos 40 ou 50 - tecidos finos, folgados, super bem cortados - realmente não abalaria homem ou mulher alguma.  Aliás, as mulheres sempre se incomodam com a visão de outra mais chique. A frase: “Querida você está uma arraso!” tem a seguinte leitura: “Mocréia, você me deixou arrasada!” Depois revolução dos anos 60, a minissaia! Tudo se tornou mais liberado e doido. Hoje as tribos decidem o que vestir e ponto final.

Mas no ambiente de trabalho, é preciso uma certa moderação. Um amigo advogado precisou convencer o estagiário do escritório a usar algo menos agressivo que os bonés, as calças de fundilhos caídos, típicos do mais radical rapper. Um ótimo guri, mas o preconceito alheio estava afastando alguns clientes mais conservadores. Assim como a menina e sua roupa sexy, maravilhosa mas totalmente deslocada (ao ambiente, porque no corpo parecia perfeita), chamava muito a atenção.

Aliás, na semana passada recebi um DVD com um show-desfile da grife de urbanwear – roupa urbana -  da norte-americana G-Unit. O criador é um rapper, James Jackson III, o 50 Cent. Repasssei a um colega que é fã do estilo. Ele não estava muito afim, mas quando disse que as gurias desfilavam com trajes sumários e colados ao corpo, me arrancou o DVD das mãos. Moda, para nós homens, é sempre gostoso de se ver, especialmente na mulher dos outros. Com as nossas, sei lá, não cai muito bem.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Promessas coloradas em caso de vitória ou empate do Grêmio no domingo


Eu , colorado , prometo:

1- não dizer nunca mais que a avalanche é coisa de veado;


2- esquecer a história da poltrona 36 ;

3- valorizar a Batalha dos Aflitos , achando o maior feito de um clube gaúcho;

4- pedir para a direção começar os grenais com 3 a 0 para o Grêmio (para dar graça e equilíbrio aos jogos )

5- falar para meus filhos que a Toyota Cup valia a mesma coisa que um título mundial;

6- dizer para meus sobrinhos que clube grande também é rebaixado para a Série B;

7- nunca mais chamar a Geral de Colygay;

8- se for o caso, chamá-los de Boca Jr do Brasil;

9- ajudar com doação de tijolos para a construção da Arena;

10 - deixar vocês ganharem alguns gre-nais para equilibrar a rivalidade (assim como Gauchões e Brasileiros);

11- informar a todos que De León sangrou a testa em uma batalha campal contra argentinos, e que não foi um imbecil que colocou a taça na cabeça onde tinha um parafuso.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Gremio finalmente decide um campeonato


Meu tio Daicy, como bom gremista que é, entrou na pauta do momento que não tem nada a ver com chuva ou vendaval, mas sim com o jogo do Grêmio contra o Flamengo, no domingo.  E envia uma sugestão de preparação do tricolor 
/Sábado/
12:00 - embarque para o RIO
15:00 - Cerveja na beira da Praia de Copacabana
17:00 - Futevôlei com Edmundo e Ery Johnson
18:00 - Banho de mar e uma cervejinha
18:45 - Maxi Lopez da uma volta de bicicleta pelo calçadão e Souza para pra comer um xis.
19:30 - Rospide faz uma roda de samba com Zeca pagodinho e Junior (EX-fla)
21:00 - janta (Mocotó e ceva)
22:00 - Banho
22:30 - Inicio da concentração na casa do Adriano, Douglas Costa sobe o morro ...
24h00 - Souza, Maxi Lopez e Leo Moura vão buscar umas "cachorras", e como já é tarde Mario Fernandes volta para o Hotel.
Domingo/
02:00 - Surubão Total na casa do Adriano 15 jogadores e 25 mulatas, Victor se envolve em uma briga num Baile Funk.
05:00 - Jogadores vao embora da casa do Adriano.
05:30 - Jogadores são vistos metendo um Hot Dog na rua.
06:30 - Todos os atletas se encontram no hotel descansando, menos o Douglas que ainda não voltou do morro.
12:00 - Thiego é cortado do jogo porque pediu concentração total na partida
16:45 - Jogadores chegam no Maracanã
17:00 - Time do Grêmio entra em campo
19:00 - MENGÃO CAMPEÂO (8 x 0)
19:45 - Chopp na Gávea
21:30 - Douglas Costa volta do morro
22:00 - Retorno a Porto Alegre
24:00 - Chegada em Porto Alegre com recepção da geral do Grêmio

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A infidelidade e o dom de iludir de toda mulher



A porta entreaberta permitia à curiosidade alheia frestear a cena insólita da mulher chorando, atirada em um macio sofá de cor salmão. Não resistiu, e indagou se poderia ajudar em alguma coisa. Professor aposentado, casado com uma conceituada psicanalista, estava habituado a enfrentar situações estranhas com serenidade e discrição. Além de tudo era um dos moradores mais antigos daquele edifício e tinha muitos amigos ali.

Ela, por exemplo, era uma excelente vizinha e ao lado do marido, parceiros constantes nas nunca fáceis reuniões de condomínio. Entrou e fechou a porta. O marido não estava. Haviam discutido. Briga pesada. Constrangida, confessou que fora infiel. Em uma festa da faculdade bebera demais e cedera à pressão de um colega. “Um grande babaca!” Quando se deu conta, amanhecera em um motel na zona sul da cidade, com um sujeito que mal conhecia. Ligou para a colega que a acompanhara. Contou o que acontecera. Combinaram uma desculpa em conjunto. Como a festa esticara muito, haviam decidido tomar o café da manhã em uma padaria para curar a ressaca. Era sábado, afinal! Nunca saía com as amigas. Tinha direito a uma noitada, afinal! Não respondera as dezenas de ligações e mensagens dele, porque o aparelho estava no silencioso. 

Lívido, o marido ouviu a desculpa. Irritou-se com as lágrimas da mulher. Até para o 190 ligara! Temera pelo pior – a violência urbana era seu maior medo – e ao vê-la naquele estado, percebia que realmente o pior acontecera. Ele que jurara fidelidade, assumira riscos, agora questionava tudo a sua volta. Faltara carinho? Ousadia nas horas de paixão? Férias mais bem aproveitadas? Parceria? Saiu porta afora jurando não voltar nunca mais.  

E ali permanecera ela. Agora confidenciando um drama, uma dor imensa a um vizinho! O professor, ainda surpreso com a rara confissão feminina de traição, lembrou a letra de Caetano Veloso “Você diz a verdade, a verdade é o seu dom de iludir. Como pode querer que a mulher vá viver sem mentir?”.

E a aconselhou, se pretendia continuar casada, se ainda sentia algum amor pelo marido, que mantivesse a desculpa do café matinal. “Ele vai aceitar, você é uma mulher séria. Acontece...” Mas em troca do segredo que guardaria a sete chaves, pediu que discutisse a relação. Sim, uma DR era importante. Aproveitasse o momento. Havia uma crise mascarada pela rotina. Não fosse assim, não teria chegado àquele extremo. Saiu, deixando a moça mais confiante no perdão. Feliz pela boa ação e convencido de que a dita vida a dois, sempre envolve muito mais gente do que o necessário.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Abalo sísmico joga surfistas em arroio de Porto Alegre

O comunicador de uma rádio de Tramandaí me saiu com essa, hoje pela manhã, ao analisar a devastação provocada por ventos de 130 km "os efeitos terríveis deste verdadeiro abalo sismico destruíram áreas importantes de nossa cidade". E fiquei pensando se abalo sísmico não seria a violenta vibração da superfície terrestre, provocada por imensas rochas, bem do fundo do planeta.


Sendo assim, quem sabe não foi esse tal abalo o responsável por jogar surfistas malucos no arroio Dilúvio de Porto Alegre? Os guris à beira do agitado mar de Tramandaí de repente, voaram sismicamente no asfalto da Avenida Ipiranga?  


O certo é que Porto Alegre, depois dos surfistas calhordas dos anos 80, agora, em pleno século 21, tem surfistas de merda! Ou surfistas calhordas de merda! De qualquer maneira, minha mãe já decretou que tudo isso só pode ser efeito do aquecimento global.


A benção, mãe!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Laurinha faz 2 anos! Viva!!!



Essa linda menina que vocês estão vendo aí, está completando 2 aninhos nesta quinta-feira, dia 19. É a Laura! E pelas imagens acima, dá pra sentir que é muito sapeca, inteligente e linda.

Orgulho da mamãe Jaqueline, do pai babão Ênio, da vó Iraci, dos dindos Fernando e Magali. Como não lhe falta atenção, carinho e muito amor, é certo que está construindo uma história bonita de realizações e sucesso. 

Estaremos a seu lado, Laurinha. Acompanhando e apoiando sempre que for preciso.
Parabéns!

Feliz Aniversário, 
Laura! 


Com o carinho do 
Tio ÍÍÍ 

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A volta do contador

Era inverno quanto tentei colocar contador de visitas no blog. Só pra saber quantas meias dúzias de abnegados me espiavam. É um blog caseiro, eu sei. Sem preocupações de estilo e forma. Mas de qualquer forma, é bom saber quantos circulam a tua volta. Mas o tal contador chegava a um número xis e recomeçava tudo. Estava em 320 visitas e desabava para 20, ou 15. Desanimador.

Enchi o saco e o desativei. Tentei o Google Analitics. Mas é tri complicado. Coisa para profissional. Agora estou às voltas com um novo. Desta vez, instalado pela amiga Patrícia Albuquerque, expert em internet.  Colaborem! Divulguem entre vizinhos e parentes (pensando bem, parentes só em último caso).

E cuidado com a chuva. Cuidado com o vento. Cuidado com a primavera!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Tempos em que festejavam nossos aniversários




“Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus ! Hoje já não faço anos. Duro.
Somam-se-me dias. Serei velho quando o for. Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...
O tempo em que festejavam o dia dos meus anos ! ...”



Este trecho do poema “Aniversário” de Álvaro de Campos - fecundo e emotivo heterônimo do poeta português Fernando Pessoa – espelha o ânimo de um amigão que, nesta primavera, completa mais um ano de vida. A sensação da alegria ingênua perdida nos aniversários festejados no passado, Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui...”. A mesa posta com mais lugares, a melhor louça, “As tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa, No tempo em que festejavam o dia dos meus anos...” E agora faltam presentes, sobram fungos do passado e o véu indecifrável do futuro. Mas qual pitonisa atreve-se a adivinhar projetos prescritos, como um queromaníaco – sujeito que vive de uma alegria exacerbada e doentia – o oposto da melancolia que cerca tantos aniversariantes.

Tentei animá-lo, conversamos muito, eu e meu já veterano amigo. Combinamos uma grande festa, com gente querida de várias gerações. Alguns, prematuramente, já partiram. Mas a lista inviabilizaria o evento. Hoje, adulto, é o responsável por sua própria efeméride. E falta dinheiro para reunir, ao menos os mais íntimos. Brindar ter sobrevivido às injúrias, falta de afeto e de um bem-vindo reconhecimento. Digo que anda pessimista demais. Esqueceu pequenas mas significativas vitórias É um homem íntegro, nem anjo, nem demônio. Do tipo que ao errar sabe pedir perdão. Depois, tenta não repetir a mancada.
Projetos sonhados quando caem na ponta do lápis viraram rabiscos sem nexo. A casa nova, piscina, uma adega para safras especiais. E as viagens? Gramado, Nova Iorque, Paris, Buenos Aires. Quem sabe o paraíso Mediterrâneo? Azeitonas pretas, pimentões doces e frutos do mar... Portugal na primavera com suas flores de rosmarinho (alecrim) perfumando as estradas no caminho do Tejo. Nada é impossível, por mais sofrida que seja a espera. Por mais obstáculos que sejam impostos. Erramos, tropeçamos e retomamos a trilha. Disse a meu amigo que deveria trabalhar para atingir seus sonhos. Ele respondeu desaforado: “Chega de sonhos! Sonhos comemos fritos. Só permanecem as gorduras saturadas endurecendo artérias!”

Boca suja, magoada com os maus tratos que o cotidiano impôs. Fritou os sonhos e, em um dia que deveria ser especial, permanece em um abismo de inconformidade. Mas as coisas não se resolvem com rancor. O importante é viver enquanto Deus assim o desejar. Aproveitar a experiência adquirida, trilhas sulcadas na face feito, transformadas em rios salgados pelo suor do dia-a-dia. Marcas assim, escrevem e corrigem uma trajetória existencial. O bolo, singelamente pode representar a vida que mesmo fatiada, tanta vezes nos põe a engordar com supérfluos, tipo rancores, frustrações, amores desfeitos. Amigo, desculpa a metáfora pobre, mas encare como uma velinha reutilizada que mesmo pela metade, com pingos de cera, a chama acesa. Parabéns!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Piada velha para começar a nova semana


O autor é anônimo. Mas o texto é bem legal.

CAPITALISMO IDEAL
Você tem duas vacas. Vende uma e compra um touro.  Eles se multiplicam, e a economia cresce. Você vende o  rebanho e aposenta-se... rico!

CAPITALISMO AMERICANO
Você tem duas vacas. Vende uma e força a outra a produzir leite de quatro vacas. Fica surpreso quando ela
morre.

CAPITALISMO FRANCÊS
Você tem duas vacas. Entra em greve porque quer três.

CAPITALISMO CANADENSE
 Você tem duas vacas. Usa o modelo do capitalismo  americano. As vacas morrem. Você acusa o protecionismo brasileiro e adota medidas protecionistas para ter as três  vacas do capitalismo francês.

CAPITALISMO JAPONÊS
Você tem duas vacas, né? Redesenha-as para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e produzam 20 vezes mais leite. Depois cria desenhos de vacas chamados Vaquimon e os vende para o mundo inteiro.

 CAPITALISMO ITALIANO
Você tem duas vacas. Uma delas é sua mãe, a outra é sua sogra,maledetto!!!

CAPITALISMO BRITÂNICO
Você tem duas vacas. As duas são loucas.

CAPITALISMO HOLANDÊS
Você tem duas vacas. Elas vivem juntas, não gostam de touros e tudo bem.

CAPITALISMO ALEMÃO
 Você tem duas vacas. Elas produzem leite pontual e regularmente, segundo padrões de quantidade, horário
estudado, elaborado e previamente estabelecido, de forma  precisa e lucrativa. Mas o que você queria mesmo era criar porcos.

CAPITALISMO RUSSO
Você tem duas vacas. Conta-as e vê que tem cinco. Conta de novo e vê que tem 42. Conta de novo e vê que tem 12  vacas. Você pára de contar e abre outra garrafa de vodca.

CAPITALISMO SUÍÇO
Você tem 500 vacas, mas nenhuma é sua. Você cobra  para guardar a vaca dos outros

CAPITALISMO ESPANHOL
 Você tem muito orgulho de ter duas vacas

 CAPITALISMO PORTUGUÊS
 Você tem duas vacas... E reclama porque seu rebanho não cresce...

CAPITALISMO CHINÊS
 Você tem duas vacas e 300 pessoas tirando leite delas. Você se gaba muito de ter pleno emprego e uma alta
 produtividade. E prende o ativista que divulgou os números.


CAPITALISMO HINDU
 Você tem duas vacas. Ai, de quem tocar nelas.

 CAPITALISMO ARGENTINO
 Você tem duas vacas. Você se esforça para ensinar as
 vacas a mugirem em inglês... As vacas morrem. V ocê entrega a
 carne delas para o churrasco de fim de ano ao FMI.

 CAPITALISMO BRASILEIRO
 Você tem duas vacas. Uma delas é roubada. O governo cria a
 CCPV - Contribuição Compulsória pela posse de Vaca. Um fiscal
 vem e lhe autua, porque embora você tenha recolhido
 corretamente a CCPV, o valor era pelo número de vacas
 presumidas e não pelo de vacas reais. A Receita Federal, por
 meio de dados também presumidos do seu consumo de leite,
 queijo,sapatos de couro, botões, presume que você tenha 200
 vacas e, para se livrar da encrenca, você dá a vaca restante
 para o fiscal deixar por isso mesmo...

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Personal Coach, solução para ricos em crise


Meu amigo, o Guga, está inconsolável por ter sido recusado no site de relacionamento Beautiful People que como afirma o nome, só aceita gente bonita. Feios, fora! Onde foi que ele errou? Ora, talvez não tenha trabalhado bem sua imagem. A beautiful people não é mais aquela coisa riponga dos anos 70. Hoje é totalmente fashion e precisa seduzir o clube privê dos que se acham! Ao Guga não faltou beleza. Faltou estratégia. É preciso estilo e confiança e como chegar lá? Lá vai a dica: depois dos personal trainer, especializados em cuidar do físico,  dos personal zen que orientam nos caminhos da meditação e ioga, as elites agora se encantam com os personal coach, especializados em   facilitar a resolução de problemas e dúvidas dillacerantes que permeiam as ensandecidas atividades das altas rodas.


Coach quer dizer treinador, o cara que prepara o atleta para vencer. E neste caso específico ele é uma espécie de psicanalista para soluções imediatas. É claro que tudo tem seu preço e, para atender seus clientes, uma hora de consulta já ultrapassa os R$ 200. Eu li sobre esta "novidade" em uma edição do ano passado do jornal O Globo que enrolava o beutiful salmão comprado no Mercado Público de Porto Alegre. Os chiquésimos clientes deste método dispensam viagens freudianas no divã, onde vira e mexe caem na primal relação papai & mamãe. Isso demanda tempo. E tempo é dinheiro.

Por exemplo, uma empresária carioca do setor de sorveterias,  após o nascimento de seu filho sentiu-se perdida. Choramingava entre receitas de papa e novos sabores gelados. Um personal coach a colocou no prumo rapidinho. Agora, ela se diz com a auto-estima recuperada. Permanece sem dilemas entre as funções de mãe e empreendedora. E o publicitário que após cair do terraço do Copacabana Palace (tombo chique, hein?) passou a ter uma vida reclusa, resumida a sessões de fisioterapia e trabalho. Graças a sua personal coach literalmente “botou tudo no lugar” e voltou a acreditar em si. 


Os coachs são um misto de psicanalistas e mestres em neurolinguística. Em outras palavras fazem o paciente quebrar os tabus estabelecidos contra si. Coisas tipo, “Sou milionário, mas muito feio. Só reparam em mim por causa de meu dinheiro”. (não é o caso do Guga, claro). Ajudam a enfrentar manias e tiques nervosos que acabam interferindo no resultado final de suas atividades empresariais.


Mais do que modismo, o personal coach, representa perfeitamente  a sociedade moderna em suas tantas revoluções por minuto. A angústia de estar sempre pronto para a nova tecnologia, a nova mania, a nova crença, o novo mercado. Executivos que não se inserem nesta ciranda temem ficar para trás. Afinal, as oportunidades de hoje, só viajam em trem bala. É urgentíssimo chegar a estação na hora certa para os breves segundos antes dos vagões assobiarem o sinal de arrancada. 


Sei não... Esse fast food psicológico não deve ser lá grande coisa. Um dia, o trem descarrila. Aí, entre coronárias rompidas e sonhos falidos, sobreviverão aqueles que trabalharam seus afortunados grilos dentro da velha e boa terapia convencional.  Mas de qualquer forma, um personal competente sempre realiza, pelo menos, seus próprios sonhos e fantasias. Business is business, afinal.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

FELIZ ANIVERSÁRIO, RUI FELTEN!



Rui Felten – grande parceiro e competente jornalista – está de níver hoje. Tem gente que diz ser o Rui um caso extra no signo escorpião que se caracteriza na maioria das vezes por gente do tipo faca na bota. Vingativa. O Rui, igual ao Paulinho Delfino (aniversariante de sexta-feira passada), é um sujeito discreto. Na dele. Corri ao Google, pesquisei os astros e li que os nascidos neste período também são donos de exemplar auto-controle, mesmo quando tudo se encaminha para o caos.

Nada, mas nada mesmo, parece abalar o escorpião. O Rui é assim. Aprendeu a conviver com os extremos e ao assumir a liderança, tem desenvoltura e sensibilidade. Desta maneira, sempre conquista a simpatia e admiração dos que o cercam. Como eu sei que ele, volta e meia, dá uma conferida neste humilde blog, deixo registrado meu abraço e orgulho por estar em sua seleta lista de amigos!

Que não te falta um bom espumante pra comemorar com os amigos e tua amada Carla. Que o deus Baco te providencie, aquele frisante bacana a preço módico!

Afinal, apesar da crise, da grana curta, não podemos deixar a peteca cair!

P a r a b é n s !!!!!!!!!!!!!!!!!

Aos amigos, com carinho


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A certeza e o acaso

Nem é preciso um vendaval, um desastre terreno, uma fúria divina. Basta um sopro, um sussurro, uma palavra solta no ar, um beijo apressado antes do ônibus partir e lá está vida como havíamos pré-estabelecido – de repente – a dar uma guinada tão surpreendente quanto assustadora. O que nos move a seguir adiante? O que nos leva a fraquejar no último minuto? A não pensar nas conseqüências? A razão para tantas quedas, que nos separa da vida e da morte, do céu ou do inferno pode ser dividida em tantas e miúdas justificativas que nem sempre nos preocupamos em juntá-las para conferir o todo.

Ainda no melancólico feriado de finados pensei nisso. Lembrei meus mortos, amigos, familiares que partiram por desastre, desgaste ou cansaço. Recordei os olhos atentos de meu pai, o sorriso irônico, às vezes em paz, em outras sofrido. E sua mão sempre disposta a acender um último cigarro. Um dia realmente acabou sendo aquele definitivo. E os planos a dois acabaram sobrecarregando o coração de minha mãe, ainda tão jovem, de uma inesperada saudade. Uma dor que acomodou no colo e transformou em resignação.

Naquele mesmo dia 2, meus filhos estavam comigo. Eles e seus projetos futuros. Quanta ansiedade apertando os jovens corações. Cada palavra, cada gesto a carregar expectativas de realizações. Todos, a exceção do mais novo, preocupados com o pós, o doutorado! Nunca se exigiu tanta graduação para tão escassas oportunidades. Ou será que buscam em nichos errados? Assim, cada um a sua maneira leva em si uma forma própria de dor. Uma angústia que poderia acabar talvez no minuto seguinte de uma proposta que lhes aponte uma estrada menos tortuosa. O sopro que muda um destino.

Pensei em um rosário de conselhos. Sugerir mais objetividade em alguns pontos, criatividade e ousadia, em outros. E lembrei os vendavais de conceitos, ou preconceitos que nós, senhores vividos, às vezes podemos carregar em nossa ânsia. Me conformei em torcer para que meu guri mais novo, vença os moinhos da adolescência, que minha menina defina o foco de seus tão vívidos talentos e o primogênito abra a porta e saia mundo a fora com a fome de um leão diante da caça. Que minha mulher dê a tacada certa em um novo vestibular! Move your body, people!

Eu sei que os minutos que nos antecipam rugas, são os mesmos que nos garantem experiência, que se não é tudo é a melhor bússola quando ainda não se encontrou o norte. E fico aqui, nesta sexta-feira quente, a espera de um sopro do acaso, para dar uma guinada e tornar tudo  tudo melhor. De problemas, estamos até aqui, ó!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Há flores por todos os lados

Está faltando tempo para postar. A vida apressada não dá moleza. Mas o pátio da casa do Ari e da Magali tem imagens que valem por mil postagens de primavera. Aliás, as fotos são todas de autoria desta alemoa que importei do Vale do Taquari. E vocês sabem que os germânicos são especialistas em flores.




quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Baixinha, gordinha e cheia de vontade!


Atenção! As mulheres do futuro serão levemente mais baixas e rechonchudas, terão corações saudáveis e muita fertilidade. O biólogo evolucionista Stephen Stearns, da Universidade de Yale nos EUA, coordenou a equipe que estudou 2.238 mulheres que haviam passado da menopausa, e então cruzaram os dados com suas respectivas vidas reprodutivas. Avaliaram altura, peso, pressão arterial, colesterol e outras características correlacionadas com o número de crianças a que elas deram à luz. E chegaram a conclusão de que as baixinhas fofinhas tendem a ter mais filhos, em média, do que outras, mais altas e magras. E ainda passam estas características às filhas. Ou seja, deram continuidade a esse processo que se considera evolutivo.

Em outras palavras, as mulheres “evoluem” para tudo isso. Academias, personal trainning, pilates, dietas rigorosas e outros tratamentos escravizantes não interromperão o processo evolutivo. Gurias, no futuro todas serão fofinhas! E baixinhas! Stearns garante que lá por volta do ano 2400 – e não estarei mais aqui para comprovar -, as mulheres terão dois centímetros a menos em média e pesarão um quilo a mais. Darão à luz o seu primeiro filho cinco meses mais cedo e iniciarão na menopausa dez meses mais tarde, em relação à média atual.

E o que representa um mísero quilinho para quem já acumulou muito mais depois de um inverno frio e chuvoso? O lado positivo é que as supermodelos no padrão Gisele Bündchen e Claudia Schiffer serão apenas exemplos ultrapassados de estrutura física. A mulher evoluída atrairá os homens com um perfil, digamos assim, mais cheinho. E olha que os machos da espécie, em sua maioria, torcem o nariz para as esqueléticas das pistas. Esguias, te olham de cima com aquele ar superior, podem escolher a dedo os melhores machos da espécie e ainda desdenham as gordinhas. “Você tem se que gostar mais, querida”, aconselham às fofas ansiosas e carentes.

Lamentavelmente o artigo não trata do setor masculino. Como serão os homens daqui a quatrocentos anos? Serão baixinhos, fofinhos? Serei eu dos protagonistas deste processo evolutivo? Vou pesquisar sobre o assunto. Enquanto isso, liberem as massas, os mousses e pudins! E viva as mulheres com substância do futuro!

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Socorro! Meu filho está na adolescência!

Enfrento a adolescência pela quarta vez. Explico melhor: meu filho mais jovem está mergulhado até o último fio de cabelo nessa complicada etapa do amadurecimento. Antes dele, meus dois filhos mais velhos também me deram um nó no período da “aborrecência”. Antes deles, é claro, eu mesmo fui adolescente. Pior, nos rebeldes anos 60. Olho para ele e lembro os tempos onde tudo me parecia dramático. Olhava no espelho e não me reconhecia  entre espinhas no rosto. Aliás, que nariz estranho era aquele? Na adolescência se ama ou se odeia demais. O mundo que parecia tão bom, os amigos da escola, os professores legais, os programas com a família, de uma hora para outra, se transformam na mais pura chatice.

As notas na escola lá em baixo, as notas na guitarra lá em cima! You say goodbye, I say hello! Haja ouvidos para tanta dissonância, haja saúde mental e financeira para bancar acompanhamento psicológico, professores particulares e festas da turma. O pelotão de ameaças em repetir o ano avança como também se amontoam os bilhetes da escola, o relaxamento nos cadernos, nas mochilas e por aí afora.

Enquanto isso a contabilidade dos pais - pobres sofredores -, se transforma em vôo rasante no desequilíbrio financeiro. Mesmo que os podem bancar sem dificuldades um adolescente na plenitude da insatisfação, perdem o sono e a tranquilidade. Isso passa... Mas a que custo!

Quantos não pensaram "Conosco será diferente!" Não cometeríamos os erros de nossos pais severos ou frouxos demais. Familiares que não puderam bancar a boa escola, o curso especializado. E agora o que se faz ao ver o filho, do alto de sua soberba juvenil decretar, por exemplo, que será um líder da nova revolução musical? Um beatle melhorado? Um novo Jimmi Hendrix?

E você aí, negociando com o gerente do banco um novo empréstimo para a aula particular, o dinheiro que te pagaria alguns dias em Buenos Aires, ou uma academia para melhorar o corpo que se encaminha para a fase aguda da maturidade (para não dizer velhice).
Sim, pais atentos ou pais omissos enfrentam igualmente a adolescência.  Eu queria sacudir meu filho até o pino da adolescência afrouxar e ser consumido pelos vorazes ácidos estomacais transformando tudo em bosta e xixi. Mas fatalmente seria preso por maus-tratos e ainda ouviria os mais insanos desaforos de meu guri. "Vocês não me amam! Eu nasci na família errada! Eu, eu e Eu" Nós, que nos esforçamos no  politicamente correto. Que temos a plena certeza de sermos muito bons fraquejamos. Eu, por exemplo, ando a beira de um ataque de nervos. Disposto a criar o Clube dos Pais de Adolescentes e Afins.  Quem sabe?

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Entre carros roubados, calcinhas e cuecas.

Depois que teve o carro furtado, o marido de uma colega jornalista não desgruda os olhos dos noticiários. Busca desesperadamente por seu  Audi seminovo (e sem seguro) que viu desaparecer sob a mira de pistolas automáticas. É assustador. Tentou imitar o roteiros de alguns filmes de cinema, onde o personagem indignado se põe a investigar por conta própria o paradeiro do bem roubado. Estamos no Brasil e assim anda em círculos, se encaminha para um final triste.

Descobriu, por exemplo, que os bandidos passaram a usar seu carro em outros assaltos. Com um  fiapo de esperança em recuperar o veículo, jura: “Eles me devolvem num dia, no outro eu o coloco a venda. Está contaminado pelo estigma da violência”. Em meio a sua investigação privada, ouviu um insólito e tragicômico  relato de outra vítima da violência urbana.

O sujeito decidira por em prática uma fantasia erótica. No estacionamento de um grande hospital de Porto Alegre, durante a madrugada! Achou que seria seguro. Quando a paixão quase incendiava o estofamento do veículo, percebeu a movimentação de gente estranha e armada. Pior, não eram os seguranças do hospital. Mais do que depressa saiu em louca corrida entre os carros.

No orelhão do próprio estacionamento ligou para o 190 e num lance de rara sorte, em menos de quatro horas, tinha o carro de volta. A esposa, solidária, o acompanhou na hora da liberação do veículo. Nervosa, começou a conferir os estragos. E foi assim que debaixo de um dos bancos, encontrou a cueca do marido, entrelaçada a uma calcinha, pequenina demais para ser dela.

Ora, o tal sujeito estava com outra no carro! Ou seja, como sentencia meu amigo Nico Jasper Jr tudo o que está ruim, sempre pode piorar.  Este infeliz, recuperou um veículo, perdeu a mulher e pagou um grande vale existencial. Cá entre nós,  até para trair é preciso um mínimo de talento. E Deus nos livre da violência urbana!

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Mais uma aventura de gordo abre a semana


E aí no estacionamento do supermercado, abraçado em sacolas contendo pães integrais, frutas, verduras e um pecaminoso sorvete, enfim, compras de um gordinho cheio de culpas, se atravessa o sujeito cheios de sorrisos e asquerosa simpatia. Aquela típica dos leitores de auto-ajuda. Praticamente me abriga a largar tudo no chão para segurar seu folder. Ele vendia diet sheik!.


“Está me chamando de gordo?” Sem jeito, ele responde que só estava oferecendo um complemente alimentar saudável, que inclusive ajuda a emagrecer. De forma alguma pretendia ofender. “Então porque nesse imenso e lotado estacionamento tu me achou?” Enquanto ele pensava na resposta, pedi licença, abri o porta-malas, guardei as sacolas e dei um tapinha fraterno nas costas dele: “Amigão, to brincando contigo. Gordo não se irrita com isso. Mas da próxima vez, só coloca tua propagando no para-brisas", aconselhei. Deixa eu aceitar, sozinho, minha obesidade.


Sai feliz com a cara desconcertada do cara. E mais decidido, é claro, a perder muitos  quilinhos. E o sorvete na sacola? Pô, era sábado. Eu estava tenso!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

A vida sofrida de um gordo pra cachorro


A mulher passou ao meu lado e ordenou severa: “Gordo, vem cá!” Surpreso, mirei nos olhos dela que, ao dar-se conta do mal-entendido, apontou o arbusto onde um cãozinho peludo fazia xixi. Gordo era o nome próprio de seu animal de estimação. “Nem reparei que o senhor era gordinho”, desculpou-se, aumentando o constrangimento.

Aceitei as desculpas, e fiquei ensaiando os desaforos que meu elevado teor de tolerância jamais permitiria. Mas que deu vontade, deu. Ela já cruzava a rua com o gordo de quatro patas – que até magro era – quando jurei iniciar uma dieta, pra já! Ser magro tem todas as vantagens. Primeiro, não é proibido o mau-humor. Gordo tem a obrigação da simpatia e docilidade.

O maior exemplo disso é o Natal, onde o gordinho da família é sempre Papai Noel. Dê-lhe suor por baixo daquela ridícula roupa quente e barbas de algodão. E os apelidos que nos batizam? Porquinho é um clássico na linha veterinária, seguido de hipopótamos, elefantes e demais paquidermes. Baixinhos atarracados são comparados a “liquinhos”, aqueles pequenos botijões de gás.

Gracejos que virariam em grossa pancadaria, não fôssemos nós obrigados a agir como os mais bem “humorados” da espécie humana. Outra chatice são os "conselhos” de amigos e frases tipo “até que você é bonito, porque não faz um regime?” Arre! É triste! Um sujeito magro não se abalaria, como eu, com uma estranha gritando pelo “gordo”. Não é nada com ele, ora! 

Assim, eu me rendi! Caminho todos os dias, contabilizo cada grama eliminada e mesmo assim, enfrento humilhações, como ser ultrapassado por vovós melhor condicionadas. Tento acompanhá-las e as pernas fraquejam. Desesperado, confiro, o relógio. O tempo não passa... Pior, quem passa são as mesmas senhoras. Uma, duas vezes!

A recompensa após tanto sacrifício é o bar da academia. Deliciosas saladas de frutas, bebidas e yogurtes light. Eba! Sanduíches naturais! Mas a turma sarada come – bem ao meu lado - cheeseburgers com bacon e ovo. Hotdogs de molhos vermelhos suspeitos e fritas, toneladas de batatas fritas! Se eles podem, por que não eu?

A ansiedade é a maior inimiga dos fofos. Aliás, só de lembrar do incidente que motivou este desabafo, me bateu fissura por algo doce. Amanhã, compenso com uma caminhada extra. E se outra tia me confundir com o cãozinho de estimação. Eu mordo! Afinal, paciência tem limite. (texto publicado no jornal Diário Gaúcho - Porto Alegre - RS)]

terça-feira, 13 de outubro de 2009

A festa do MST Kids

Os moradoros das redondezas da praça Marechal Deodoro – a praça dos três poderes em Porto Alegre – assistiram ontem mais um show pra lá de bizarro: um grupo com bandeiras, camisetas e estilo MST, só que formado por crianças, o que me leva a crer ser o MST Kids dos sem-terra, promoveu uma apresentação especial no espaço entre o Palácio Piratini e a Catedral Metropolitana neste manhã.

Liderados por companheiros marmanjos, fantasiados de palhaços - com perucas afro vermelhas, imensos óculos amarelos -  os emetezinhos mirins entoavam um Ilarilarilariê (ô, ô, ô) revolucionário. Era o ocupar-resistir-produzir em versão semana da criança.

As crianças eram realmente lindas e sinceramente, não sei como suportaram a feiura daqueles palhaços - rara visão do inferno. Mas pensei que a vida deles, de ocupação em ocupação, em lares de lona preta. Muitas vezes servindo de escudo, tem coisas muito mais feias para vivenciar do que um palhaço ideológico.  

Do feriadão para o cotididiano engarrafado


Atrasei para chegar no trabalho. O dia seguinte a um feriadão é sempre caótico. Carros amontoados nas rodovias, gente de ressaca se apertando no asfalto a provocar pequenos acidentes e grandes engarrafamentos. E lá estou eu, que tenho o privilégio de morar no campo, agüentando essa turma estressada a xingar-se na histeria das buzinas, dos rostos amarrotados e impacientes. Dedos apontando ameaçadoramente o simbolismo fálico, talvez em seu único momento plenamente  ereto! É a orgia do mal-humor! Cadê o relax do litoral? O ar do sítio? A brisa da serra, baby?


Na verdade, minha tensão era mais em função do carro que pede uma revisão e pode superaquecer a qualquer momento. Hoje mesmo, agendo com o mecânico! Lá vai grana! Mas é o preço da tranqüilidade. Sabe? Ligo o ar-condicionado e deixo as coisas fluírem. Hare Krishna!  E deixa os ansiosos cortarem a frente, saírem a mil pelo acostamento. Os motoqueiros em sua horda de equilibrismo suicida rasgando todas as leis de trânsito e de civilidade, do primeiro ao último minuto do dia. Axé!


E eu atento ao rádio, a todos noticiários possíveis enquanto meu filho pede para rolar um CD dos Beatles – de preferência uma canção do George Harrison! Não poderia, ainda que fosse Drive My Car (aquela que abre o álbum Rubber Soul). É preciso saber o que está rolando. As opiniões, dos (de)formadores de opinião. É preciso sair deste trânsito antes que o radiador esquente demais. Antes que me dê aquela vontade de abrir a porta e deixar tudo ali. 


A fila ao lado está mais rápida. É para lá que eu vou, em uma manobra radical. E subitamente, a fila trava. Murphy e sua lei implacável!  E todos que estavam atrás, ultrapassam o Ari e seu veículo sem manutenção. Mas tudo bem, cheguei a tempo de postar essa mensagem e dividir essas primeiras reflexões pós-feriado (putz! Com ou sem hífen?)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Rock não é coisa de maricas! (Rita Lee)


Ganhei o último CD do Erasmo Carlos - Rock And Roll - há mais de mês. Confesso que não acreditava muito no trabalho. Mas ao ouvir, senti a retomada roqueira e pique de guri do Tremendão. Sem frescuras pseudomodernosas. Letras e música simples e eficiente. Vale a pena ouvir no churrascão de domingo, no carro com a patroa.  E para não dizer que estou falando bobagens, deixo aqui o comentário da tia Rita Lee sobre o disco:

“Rock não é coisa para maricas. Erasmo está aí que não me deixa mentir. Ao ouvir esse último trabalho imagino o “gentle giant” cantando no palco vestido de couro preto da cabeça aos pés enquanto marca o beat da música com a mão na coxa. Desde Marlon Brando e James Dean sou chegada num bad boy. Erasmo era o bad boy da Jovem Guarda, o que para mim significa ser ele o verdadeiro pai do rock brasileiro.

E no meio dos trocentos clones que poluem as atuais paradas de sucesso com suas mesmices, eis que nosso Tiranossaurus Rex abre alas só com inéditas. As músicas são a simplicidade com trombetas. As letras o pretinho básico com diamantes. O backing vocal um coral de anjos infernais. Os instrumentos e os arranjos são pérolas do bom gosto (rola até um Farfisa e um Hammond no meio de modernidades sonoras). E toda essa farra pilotada pela produção de Merlin Liminha.

Graças aos deuses Erasmo é Erasmo, uma sacação genial se dizer cover de si mesmo no meio dos Elvis, Robertos, Rauls e Beatles, seus roqueiros porretas. Você vai ouvir um macho apaixonado pelas fêmeas do planeta sem o menor pudor. Entre mulheres melancias, samambaias, melões e jacas, só Erasmo para proclamar aos quatro ventos que a mulher é uma guitarra.E rola de tudo no salão.

Melodias lacrimejantes, harmonias delicadas, rocks gaiatos, baladas românticas, declarações rasgadas, deboches safados, conselhos para dor de cotovelo, guitarras sutis, baixos esquisitões, enfim: Rock´n´Roll me deu uma baita inveja da leveza com que ele conduz seu barquinho por entre as tempestades e calmarias da vida. Erasmo, cadê você? Eu vim aqui só pra te ver!”

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Pontilhão entre o inverno e a primavera

A chuva, o granizo, os ventos que atormentam a primavera deste 2009, acabaram também, sufocando as flores e folhagens que adornam a estrada de chão da rua onde moro, no Guaíba Country Clube. Mas é só olhar mais atentamente para se perceber alguma beleza entre tanto desarranjo. Como esta manhã fria e úmida com seus fachos de luz rasgando em holofotes a antipatia das nuvens gris.


foto: Ari Teixeira

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

A noite em que a Padre Chagas ficou às escuras


Guga, meu dileto amigo e colega chegou a-ta-ca-dí- ssi -mo ontem pela manhã. "Acredita que ainda estou sem luz em casa?" Desde o início da noite passada a chuvarada que inundou várias regiões do Estado, desta vez, pegou uma boa parcela dos que vivem em zonas chiques de Porto Alegre. Guga tem um apartamento na elegante Padre Chagas. Que nunca soube o que é ficar as escuras por mais de 15 minutos. Ele avisou aos criados: se ligarem da Defesa Civil, peça água Perrier. Por favor! Na tarde desta terça-feira, Guga ainda andava às voltas com a falta de energia.


Outro amigo, que atua no setor de refrigerantes e mora no elegante bairro Petrópolis, me fez traumático relato de sua noite e madrugada de horror: "Cheguei em casa às 21h de ontem. Tudo escuro. Sem luz. Subi 4 andares com a luzinha do celular. Abro e porta e vejo minha mulher cercada de velas coloridas. Sobras de aniversário. Uma delas era o número 1 outra o 4. Vermelhas... Ou seja, parecia um despacho vivo dedilhando no laptop..." Jogava paciência! E ouvia meu radinho de pilha, no programa do Pedro Ernesto..." Nossa!


Não resistiu, fez uma piada: "Ouçam o barulho da chuva. Que legal! Lembro dos meus tempos de racionamento de luz... A reação da família foi tão "positiva" que comeu um sanduba e recolheu-se ao berço. Só as 3h voltou a maldita luz...Saravá! A mulher parmanecia no sofá, abraçada a uma almofada. parecia uma espécie de pomba gira furibunda! A filha mais velha tão indignada estava com a falta de luz que foi deitar às 20h.


Ainda no escuro, não conseguia parar de rir da cena dantesca (como diria Ruy Ostemann). O rosto da esposa iluminado por velas vermelhas! Só faltava, farofa e pipoca... Sei lá, Moinhos, Petrópolis e outros bairros nobres no escuro? Pensei na possibilidade de atentado, mas a maioria dos dirigentes de partidos da esquerda popular vivem na região. Foi coisa da Mãe Natureza mesmo. Sábia como sempre.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

A mulher, um bichano e um marido fujões


Ontem recebi o e-mail de uma ex-colega de Zero Hora. Disse que visitou o blog e adorou seu estilo descontraído. E desde que eu não revelasse a fonte, me relataria uma recente experiência pessoal.  Topei, é claro. Cansada do marido farrista, o expulsou de casa. As amigas a recriminaram. Ele era trabalhador, simpático e boa pinta. mas volta e meia sumia. Era um carteado em lugar ermo, pescarias em açudes secos e um celular repleto de números e  ligações estranhas em horários incômodos. Aos 46, com a filha encaminhada na vida, não precisava aturar homem galinha. O único gato peludo naquele seu espaço seria de quatro patas. 

Referia-se a Charles, um siamês de personalidade forte, por coincidência, presente do marido que, aliás,  não se conformou com a separação. Queria mais uma chance, a décima! Ela resistiu bravamente ao assédio. Flores, perfumes e ligações cheias de apaixonada saudade. Até o dia em que o siamês sumiu. Chovia muito, o vento era desanimador e o felino não voltou como das outras vezes. Mais um macho a lhe decepcionar. Charles, pelo menos, era solteiro e independente, como todo siamês.

Uma semana depois, apareceu o marido confessando  o “seqüestro” do gato. Só o devolveria se o aceitasse para a décima primeira chance, porque afinal de contas, ele mudara, estava com 50 anos. Amadurecera. Argumentou que os gatos, assim como os homens custam a atender a um chamado. Gostam de passar a noite na rua e retornam de rabo entre as pernas querendo carinho. Ou seja, como as mulheres amam os bichanos se estes tem as mesmas características que detestadas em seus parceiros?

A infeliz comparação provocou risos em minha amiga. O bom humor, mesmo nas horas difíceis era o que mais a agradava nele. A noite tinha sido pavorosa. Com chuva e vento. Sentira a falta do "cretino sem-vergonha". Abriu as portas e entraram felizes, o homem e o bichano.  "Todo gato fujão para não incomodar mais,  acaba castrado. Vira um dócil amiguinho. Então, se homens e gatos são tão semelhantes...”  ameaçou, olhando firme para o marido que está se puxando para fazer tudo certo. Até onde vai essa dedicação, ela não sabe e assim, aproveita a boa fase. Jura que se ele reincidir, está fora. Sei....