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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Assuma o controle, faça um melhor 2011!

Ficar naquela do Deus dará é o mais triste. Imagino o Todo Poderoso a cuidar da dieta do Arizinho, por exemplo, ou daquele projeto que a Luluzinha guardou na gaveta por pura acomodação. Lá estou eu, no fundo do caminhão chamado 2010, como uma melancia que foi se acomodando no andar da estrada ruim. Estão todas em cima! E eu sufocado! No topo tem a luz do sol, a brisa ou o vento que refrescam. E eu aqui, deixando as coisas como estão para não enfrentar uma certeira incomodação. Então, a aparente facilidade de não mudar é uma ilusão, um truque de espelhos onde o reflexo é sempre melhor do que a realidade à volta.

O ideal é aproveitarmos essa explosão de expectativas e nos concentrarmos em algo mais objetivo. Trabalhar apenas não resolve, é preciso valorizar todo esforço, torná-lo uma satisfação. Inclui aí ter maior domínio sobre as ações e, também, melhores possibilidades de renda. É difícil? Com certeza. Ser a última melancia do escritório, lá no fundo, onde ninguém quer te ouvir e ainda te paga mal para cumprir tarefas que mal sabem executar, exige apenas resignação.

Assim é fundamental estabelecer metas. Criar um projeto viável não é fácil. Mas jamais impossível. Sair à moda louca é apenas um ato isolado de descontrole. Até um rebelde estabelece seu plano. Estou aqui, à frente de muita literatura de auto-ajuda e não vi o milagre acontecer. Ora, é preciso juntar a teoria à pratica. Ser determinado e não ceder à tentação do balanço que safadamente ajeita teu solene bumbum na cadeira da rotina. E aí aceitas qualquer coisa que não dependa da criatividade. Basta repetir-se infinitamente.

Em 2011 quero ver meus amigos com metas mais ousadas. Como por exemplo, assumir o comando do caminhão de melancias. Criar tempo para sentir a mudança das estações e, quem sabe, sentar diante de um computador e escrever seu próprio livro. Sua história não é original? Por mais semelhanças que possa ter com todas outras, será sempre única, se levar tua apaixonada inspiração. E é esta condição que te levará a dias melhores. Vivos! Creiam, não existe idade para a tal mudança, mas sim, maturidade e determinação.  

Amigos, um Feliz Ano Novo para todos!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Até na Coletiva.net já virei notícia

Ainda não... Mas diria que estamos próximos a superação. Foi difícil como deveria , sem essa de matar um leão por dia. Não mato nem mando matar. Eu amanso o leão, com algum talento e amor a minha tão sofrida profissão. Ah! E respeito, muito respeito aos colegas e amigos. Em parceria, a vida flui e não se torna um perigoso repetir-se entre a soberba e o rancor.

Que venha 2011!

sábado, 25 de dezembro de 2010

Dividir a ceia para um Natal inesquecível

Tem uma mistura de cheiros, sons, cores e memórias que me levam a viver com muito otimismo este período de festas. Sofro com o estresse e preocupações, não sou diferente de ninguém, mas tudo com equilíbrio e uma incontida disposição para a harmonia. É o ano – mais um - a fechar a contabilidade entre acertos e erros. Quer um encontro de contas e, como sempre, acabarei devendo alguma coisa a tantos e, principalmente, a meu próprios interiores.

Nós, adultos crescemos cercados de pequenas alegrias e grandes culpas. Sofremos com isso. Dói a obrigação de se encarar, em um dia tão especial, recordações de tempos mais alegres. Pior, dividiremos a ceia com outros que no cotidiano às vezes nos provocaram mágoas e lágrimas. Vale a pena tudo isso? Os distintos leitores poderão imaginar ser impossível pedir tolerância e entendimento entre amigos e familiares só porque é Natal. Mas essa é a hora! Não existe nenhuma data tão fortemente emblemática.

Sim, as angústias vão do pequeno ao imenso drama existencial. É o assado no forno, o calor a derreter miolos. Os espumantes - demi-sec ou brut? As cervejas, drinques. Refrigerante ou suco? As saladas, castanhas, frutas e panetones? Todo ano a mesma rotina. Sogras e genros, Novos e antigos amores. O ex a bater na porta! A combinar datas. O estresse do “quem fica com quem”. As brigas domésticas parecem transformar-se em pauta única.

Vale a pena tudo isso? Nestas horas, o guri que um dia fui assume o comando das ações. Junta trocados para singelos presentes. Organiza a ceia e lota o coração de força para não explodir de angústia. Quantas vezes pensei em fugir para uma ilha deserta?. A razão sempre me levou a acender velas coloridas e desfrutar da luz que ilumina, da cor ao perdão.

E lá estava eu cheio de esperanças. Na hora dos abraços, sempre entre antigos desafetos e principalmente novos afetos compreendo que a humanidade é assim. Construída nas ruínas dos castelos erigidos com as pedras dos bons e maus projetos. Quem aprendeu, saberá edificar uma realidade melhor. Com ou sem Noel, presentes, peru na ceia ou gente de nariz torcido. O amor deve ser o impulsionador de tudo até o último convidado – mesmo aquele tio beberrão que fez sujeira no tapete novo.

Ficará na madrugada, apenas a consciência e o espírito de tudo que sustenta este texto: A solidariedade, a possibilidade de retomada na fé, independente de sermos crentes ou céticos. Só não podemos nos descuidar de amar. Incondicionalmente. Quem ama de fato, jamais está sozinho. Neste dia 25, todas minhas histórias estarão a meu lado. São parte de minha construção. Talvez com alguma melancolia, mas isentas de rancor. Despidas de conflitos. Em paz, com o coração em Cristo, na mesma leveza de um sonho bom. Aceitem, então, meu carinho e votos sinceros de um Feliz Natal!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Quer piscina? Chama o Gastão

Viram a linda piscina? É obra de um homem só, o alemão invocado da foto, Gastão, marido da top Márcia e pai da Jordana, linda aprendiz de top model – amigos de Lajeado – terra da Fruki – de outro parceiro, o "investidor" e jornalista, Giba Jasper. Mas o que me chamou realmente a atenção foi a extrema determinação de quem, mesmo não sendo do ramo da construção, ao perceber o alto custo da obra, literalmente colocou a mão na massa, conseguindo reduzir os custos totais para pouco mais de R$ 5 mil. E uma piscina de 5 por 7 metros.

Eu que desanimo só de pensar em preparar cimento, admiro os que tem esse talento. São pedreiros ou marceneiros de fim de semana – que não se atrapalham com a inexperiência. Tenho hobbies de menor expressão como culinária, vinhos e vadiagem. Coisa pequena, do tipo estresse zero. O máximo que posso fazer é me oferecer para executar alguns quitutes bem especiais à beira desta nova piscina.

Levo o vinho e o palavreado culinarista da moda. Por exemplo, “grelhados e cervejas harmonizadas aos odores típicos de protetor solar e água clorificada". Vestirei minha veterana bermuda de surfista calhorda para manter o estilo old-fashion at the swimming pool.

Parabéns, Márcia, Jordana e Gastão! (eu continarei com a piscina inflável Mohr - que por sinal, está sempre furada)

domingo, 19 de dezembro de 2010

Quem busca 365 maneiras de enlouquecer na cama?


Uma das poucas vantagens que ainda restam aos que trabalham no centro de Porto Alegre, é o refúgio simpático e acolhedor dos “sebos”, livrarias onde a boa literatura faz parceria com os preços módicos de livros usados. É claro que encontramos de tudo. Desde os clássicos da literatura universal até a auto-ajuda publicada em décadas passadas. Por exemplo, na semana passada, na sessão de ofertas, por apenas cinco míseros pilas, estava a obra “365 Maneiras de Enlouquecer Juntos na Cama”, do ex-cronista da Playboy norte-americana James Petersen.

Se juntarmos as publicações a respeito do assunto, incluindo o chatíssimo Kama-Sutra, daríamos a volta ao mundo com certamente milhares de novas e pretensamente criativas sugestões para casais sem imaginação. Dezenas para cada dia, cada hora, cada minuto! Viver seria um desfrutar no paraíso de Eros. Mas a verdade nua e crua (maravilha!), é que as pessoas brocham solenemente por outras 365 maneiras de enlouquecerem juntinhas. Acreditar que variar as posições de pernas, braços e órgãos mais sensíveis, lhes devolverá o tesão é uma ilusão a esvair-se entre o assoalho e os colchões.

Sou daqueles que acredita em sexo com remédio para uma vida saudável. Mas antes de tornar-se cura o erotismo doméstico precisa evoluir no grande laboratório do cotidiano, de maneira absolutamente assexuada. Sedução é atitude, ora! Passada a fase da paixão - sempre irracional e genital - é descobrir algo mais forte do que feromônios-extra.

Isso se faz construindo uma personalidade de vencedor. Nem me refiro aos que circulam no topo da escalada social, com salário e reconhecimento da plebe ignara. Não é nada disso. Vencedor é aquele que luta para manter-se íntegro, não entrega a rapadura. Que sobrevive aos fracassos. Isso vale para homens e mulheres. Não existe nada mais excitante do que brigar por espaço em um mundo competitivo. Mostrar disposição para enfrentar as agruras - o saldo negativo - com trabalho, criatividade e energia. Nada é mais sexy que isso.

Aceitar as coisas simplesmente como elas são e depois querer desfrutar de uma destas 365 maneiras de prazer erótico é ilusão. A regra vale para casados, amantes e afins. Quem admira gente sem fibra? No desespero, alguns se agarram a estes livros como fonte renovadora da paixão e acabam vencidos pela realidade.

O problema é a dificuldade de se estar bem consigo mesmo. Sem tesão por meus projetos, como excitar quem amo? De qualquer maneira, se alguém quiser aproveitar o preço e adquirir o livro está anos sebos por cinco pilas. A reedição custa, em média R$ 24. Por favor, preciso de “cases” em casos de bons resultados. Quem sabe através deste humilde blog não criaremos nova tese sobre amor e erotismo em tempos de baixa estima.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

A menina que odiava Papai Noel

Presentes - "Papais Noéis",
Um ano esperando um dia,
Quando a grande maioria,
Sofre destinos cruéis.
O amor pesado a "mil-réis",
E mortos vivos que andam,
Instituições que desandam,
Porque esqueceram Jesus,
O que precisa, é mais luz,
No coração dos que mandam!
Jayme Caetano Braun

Um mês antes do Natal, a única boneca da pequena Érika, sumiu. O desaparecimento de sua “filha” de pano a fez chorar muito. De família humilde, a menina consolou-se na esperança de que o Papai Noel, quem sabe, lhe trouxesse outra. Talvez uma linda boneca igual a de suas primas ricas, com rostos de louça. Essa história aconteceu nos anos 30, tempos onde não existiam brinquedos em plástico. A maioria era em madeira ou tecido e muito caros, importados da Europa.

Na hora dos presentes, Erika foi a primeira a sentar em volta da árvore. Esperava o bom velhinho e seus pacotes encantados. Meias e ceroulas para os tios, pijamas para os avós, carrinhos e livros infantis para os primos e ela aguardando, de olhos fixos no saco de linhagem que se tornava cada vez mais magro. Ao chegar sua vez  os olhinhos de Érika, brilhantes de alegria, não esconderam uma ponta de decepção ao ver uma bonequinha idêntica a desaparecida. Com roupas novas, mas com os mesmos olhos azuis. Até as manchas se pareciam! Nos dois anos seguintes, se repetiu o “seqüestro” da cada vez mais gasta boneca de pano, que sempre voltava de roupas novas para a desencantada Érika.

Aos sete anos, não acreditava mais em Papai Noel. Irritava-se quando seus pais, constrangidos por não poderem presenteá-la com brinquedos novos, diziam que ela não ganhara o que pedia, por causa de uma teimosia, de uma briga com os irmãos e outros pequenos pecadinhos, tão pequeninos que ela nem lembrava mais. Papai Noel era rancoroso. E pão-duro! Érika odiava aquele velhinho suado que a presenteava, ano após ano, com a mesma desilusão. Um sonho cada vez mais desbotado e remendado. Cresceu com esta raiva. Casou, teve filhos e, embora a vida mais folgada, insistiu em ensinar aos filhos que aquele velho geralmente de barbas artificiais, era coisa do comércio.

"O Papai Noel de vocês somos nós". As crianças a ouviam, mas achavam que a mãe, sempre correta, desta vez fazia injustiça com o bom velhinho. O piá mais novo chegou a argumentar que, mesmo pobre, Jesus recebera os três reis magos com presentes em ouro - que valia muito - e também, incenso e mirra (o que é isso afinal?) mais baratos. Levou muito mais tempo para Érika compreender o gesto de seus pais. Na verdade, tentavam manter aceso o espírito natalino nos filhos. Dar-lhes uma esperança, um estímulo para melhorar sempre. A mesma boneca com roupinhas novas, feitas pela mãe durante a madrugada, era o que podiam dar, além da ceia, sempre farta.

"Eles erraram ao nos deixar afastados da realidade. Filhos não tem vergonha do aperto dos pais. Serão  solidários. Eu sentiria orgulho de minha mãe, ao saber que ajudara o Papai Noel, remendando a boneca que eu tanto amava. Seria uma noite realmente feliz, como diz a música", garante Erika.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

As aventuras de Tintin, nos cinemas em 2011

Atenção fãs de Tintin. Até outubro de 2011, o diretor Steven Spielberg deverá lançar internacionalmente "The adventures of Tintin: The secret of the unicorn", inspirado no personagem de quadrinhos do belga Hergé.
Embora produzido nos Estados Unidos, somente será lançado naquele país, alguns meses depois, pois os norte-americanos não conhecem muito as aventuras do jovem repórter europeu, traduzida para 70 idiomas.

O britânico Jamie Bell ("Billy Elliot", 2000) encarnará Tintin em um elenco que contará com Daniel Craig, Andy Serkis, Simon Pegg, Nick Frost, Gad Elmaleh, Toby Jones e Mackenzie Crook.

Segundo a revista digital Variety, o filme foi produzido com a mesma tecnologia de "A lenda de Beowulf" (2007) e "A Christmas Carol" (2009), e sairá no mercado em 3D.

Em novembro (26/11/2010), faleceu o ator dinarmaquês Palle Huld, que inspirou a criação do personagem Tintin. Ele tinha 98 anos e, em 1928, ainda adolescente, venceu um concurso organizado por um jornal da Dinamarca que pretendia colocar um jovem jornalista em viagem pelo mundo durante 44 dias.

Huld fez reportagens na América do Norte, Japão, Sibéria e Alemanha e foi recepcionado por 20 mil pessoas ao retornar a Copenhague. Depois disso, Huld trabalhou no Teatro Real da Dinamarca e atuou em mais de 40 filmes dinamarqueses entre 1933 e 2000.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A beleza na cidade rude

Estávamos eu e mais dois em uma pastelaria da Cidade Baixa, em Porto Alegre. De repente, ela surge. Passos elegantes-  sem traços anoréxicos ou a vulgaridade das “modelos” maria-chuteira. Um gari parou de varrer a calçada para não levantar pó e melhor admirá-la. Cidadã responsável, ela procura a faixa de segurança para atravessar a rua movimentada. Está ali, a poucos metros de nós. Saia curta, blusa em estilo oriental a sustentar a leveza sexy de seu andar.

Cruza a porta por onde a observávamos, desajeitados. Pastéis nas mãos, a mastigar o ar tomado de um perfume suave e doce. Conhecem aquele olhar enviesado tipo Mona Lisa? Pois foi o que recebemos. Por breves segundos, é claro. Olhar sem arrogância, mas sabedor das conseqüências de tudo aquilo que um dia Vinícius de Moraes poetizou a uma certa garota de Ipanema. Beleza que não é só nossa, mas quando passa  "O mundo inteirinho se enche de graça e fica mais lindo...". Em nosso respeitoso silêncio, agradecíamos o dom feminino de transformar uma simples calçada em passarela. "É mulher para se guardar numa redoma de cristal. Não deixar ninguém tocar", exagerou o pasteleiro.

A marginalidade em guerra e tantas outras mazelas brasileiras e eu aqui a divagar sobre o encanto feminino. Ora, amigos! Quando se vive em uma cidade que já tem locais onde a lei marcial do tráfico impera, a serviço é claro, de milhares de consumidores, é preciso partir para a seguinte reflexão: enquanto muitos caem na ilusão da fortuna fácil do comércio das drogas, e milhares se deixam seduzir pelo vício. outros filtram a miséria humana e usufruem, sem culpas, da energia bonita que se esconde no cotidiano.

Valorizemos a capacidade de superação, de buscar nas esquinas onde o medo espreita, a beleza de gente comum como nós. E se for para roubar alguma coisa, que seja um olhar carregado de promessas que não precisam ser cumpridas. Basta que ajude a nos tornamos menos rudes e sofridos. A vida, afinal, é isso.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A day in the Life, John Lennon shot dead


"So long a go,
Was it in a dream,
was it just a dream?
I know, yes I know
Seemed so very real,
it seemed so real to me"
(9#Dream - John Lennon, Walls and Bridges)

Oito de dezembro, 1980. Tarde quente na antiga redação da Folha da Tarde, no primeiro andar do prédio da Caldas Junior. O rádio sempre ligado na editoria de esportes, interrompe a programação e anuncia: John Lennon assassinado por um fã defronte ao edifício Dakota, onde residia com a mulher Yoko e o filho Sean, de apenas cinco anos. Em seguida, comoção geral. Era como a tragédia se abatesse em nossa casa, com um familiar, ou amigo muito próximo, às vésperas do Natal. Estávamos ali, eu e Paulo Acosta (saudade, amigo) abraçados chorando como dois guris. Lágrimas, olhares entre o choque da mais improvável das notícias, invadiram o ambiente.

Muitos amigos ligavam, incrédulos, querendo ouvir que fora uma "barriga" da imprensa. Fui a sacada do jornal para tomar um ar, e na rua gente a chorar, outros sem entender o que estava acontecendo. Meu pai, que trabalhava na agência central do Banco do Brasil, na rua Uruguai, atendeu a dezenas de correntistas com os olhos mareados. Não tinha como evitar a emoção. Procuravam mais informações, era um tempo sem a agilidade da internet.

Triste ironia, o homem que enfrentara seus próprios demônios e contradições em busca de paz interior e para seus semelhantes, autor de uma das mais tradicionais canções natalinas - Happy Xmas, com uma letra carregada em solidariedade e boa vontade - fora vítima de violência covarde e irracional. Eu dedido esta lembrança, como uma oração para John, que junto a outros três jovens, me ajudou a sonhar em um mundo melhor, mesmo criado em um país oprimido pela pobreza e ditadura.

Confira os eventos sobre Lennon na TV por assinatura:

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Compras de Natal em Rivera. Confira!

Meus amigos, Giba e Carmen Jasper passaram o final de semana entre Santana do Livramento e Rivera. Aproveitei e pedi dicas de compras. O Giba caprichou e preparou um excelente material de serviço. Exclusivo para o Concriar. Vamos lá, gente! A fronteira está bombando. Mais sobre Rivera, clique aqui).

Movimento: O melhor é viajar no meio da semana, embora isso seja impossível para a maioria das pessoas. O movimento é grande e aumentará à medida que o Natal se aproxima. Pouco antes Rivera promove a Noite Mágica, quando a Avenida Sarandi é fechada, as mercadorias são postas na calçada, há música e shows e promoções-relâmpago, com brindes e outras cositas.

Estrada: Está excelente! Os piores trechos foram recapados, embora em alguns ainda falte a sinalização e melhorias no acostamento) Até Cachoeira do Sul há grande movimento, que reduz sensivelmente até Livramento. Não encontramos fiscalização da Receita Federal, embora eles dêem incertas volantes.

Dólar: No findi tava 1,77, com pequenas variações. é preciso cuidado, embora as variações são sejam tão grandes. No "meu setor", perfumes, o preço como sempre estava ótimo. Perfumes franceses de griffe estavam na faixa entre 40 a 60 dólares (masculino) e um pouco mais para mulheres. Importante: quase todas as lojas adotam três preços diferentes: para pagando em cartão de crédito, dólar e reais. A última modalidade é a mais barata.

Novidades na linha de cosméticos deixam a mulherada agitada, com Lancòme e outras marcas mundias de tradição.

Chocolates: tem de tudo, suíços, alemães com novidades pouco vistas por aqui.

Conservas: Há, também, azeitonas baratas, compotas, mostarda e catchup bem abaixo dos preços dos supermercadoa daqui. Geralmente são vendidas em ruas paralelas à Sarandi, em lojas que parecem bodegas, mas oferecem ótima qualidade e variedade.

Louças: a Cármen comprou um conjunto com prato grande, pequeno e xícara muito barato. Utilidades para o lar têm ótimo preço e variedade que dificilmente se encontra por aqui.

Ar-Condicionado: Continua sendo o grande xodó. Pra ter uma idéia, a maioria dos lojistas deixa as caixas estocadas na calçada porque além de tirar muito lugar, dá um trabalho dobrado. A maioria dos compradores estaciona na frente da loja para pôr no carro. Quase todas as lojas têm carregadores, ou seja: com carrinho transportam as mercadorias até o hotel, independentemente da distância. Não cobram nada por isso, mas é sempre bom (e educado) dar um gorjeta.

Pendrive, MP4 ou 5 IPed, laptops, ar-condicionados, uisque, vinhos e eletrônicos em geral são líderes da preferência.

Bebidas alcoólicas: Limitadas a 12 litros (não 12 garrafas!). A fiscalização tem sido rígida neste aspecto.

Red Bull: Outro sucesso de vendas. Muito mais barato que nas lojas e supermercados daqui. Pra teres uma idéia, a Carmen sempre criticou o consumo junto à gurizada lá de casa. Tomou uma latinha geladinha e comprou dois fardos.

Queijos e laticínios: Grandes sucessos pela qualidade e varidade do que é produzido pelos vizinhos uruguaios são sucesso de venda, como doce de leite e ainda alfajor, sucesso de décadas!

Quem vai de carro: Se o hotel ficar distante da Sarandi, o conselho é estacionar numa transversal e ir guardando as compras no porta-malas. Há "flanelinhas oficiais", que cobram por hora, mas como tudo por Rivera... é uma grande esculhambação. Jamais ouvi notícia de arrombamento de carros porque eles vivem do turista. Mas é preciso cuidado: acidentes de trânsito do lado de lá geram muita dor-de-cabeça.

Comer: Ainda é barato. Há de tudo: lugares para parrillada, pizzas, panchos e tira-gostos, com Patrícia, Pilsen e Zilertal. Nós costumamos almoçar e jantar no Hotel Uruguay-Brasil, na Sarandi, com variedade de massas, assados e pizzas. A organização não é o forte. Não tem lista de chegada. Quem ver uma mesa vaga (ou com o pessoal terminando a refeição), faz plantão na maior cara dura até o vivente sair e abrir espaço...

Outras dicas:
- Ir de carro tem vantagens. Costumo sair cedo, 5h/6h da manhã, levando uma bolsa térmica com água, refri, além de frutas, biscoito.

- Ideal é fazer pequenas paradas para evitar inchaço nos pés e para alongar. Como a chegada reserva caminhadas e esperas longas em filas, isso reduz as dores no final do dia

- A partir de Cachoeira do Sul os restaurantes e postos de gasolina ficam mais escassos

- Claro: conferir óleo e água do radiador na saída, além da calibragem e estado dos pneus, já que existem pouquíssimas borracharias ao longo do trajeto

- Normalmente não são usados radares (mas não é bom alertar os gansos!) e há grandes retas de 4, 5 quilômetros

- Em Rivera tem cassino. 

- Entre os restaurante tradicionalíssimos de parrilla tem o La Picanha, na Sarandi, mas bastante distante do fervo das compras. Umas 10 quadras que, a pé, no cansaço, é inviável. Negócio é ir de carro.

- Hotel: se o hotel ficar perto da Praça Internacional (Portal, Jandaia e Verde Plaza) o melhor é  estaciona na chegada e só tirar da garagem na hora de sair. Evita problemas de estacionamento pois as garagens dos hotéis são pequenas, apertadas e já tive o carro arranhado.

Hotel II: reservas são obrigatórias, especialmente nesta época.

Hotel III: Tem gente que fica em Rosário e São Gabriel, no meio do caminho, mas para o meu gosto... é muito longe!

Hotel IV: Existem várias pousadas e hotéis-fazenda em Livramento, mas ficam fora da cidade, ao longo da rodovia que liga Rosário a Livramento.

No trânsito, os noéis de maus bofes

O sinal trocava do verde para o amarelo e eu fui reduzindo a velocidade. Quando parei já estava no vermelho. Tranquilo, ou quase. O motorista do carro que vinha atrás, emparelhou ao lado do meu, abriu o vidro e escancarou a boca para me encher de desaforos. "Tá sem pressa, babaca filho da p (*)?" berrou entre outros desaforos. A mulher do cara, permanceu impassivel, talvez tentando filtrar tamanha grosseria. Os filhos, quietos, esticavam o pescoço no banco de trás para conhecer o tal babaca.

Minha vontade era de responder com a mesma fúria. A pressão arterial que já anda acima do normal subiu mais, o rosto envermelhou, mas não me permite perder a calma. "Desculpa se te atrapalhei, mas apenas obedeci a sinalização. Feliz Natal! Pra ti. Pra tua família",
respondi, evitando parecer irônico. A mulher virou para o marido raivoso e comentou, séria: "Tu podia ter passado sem essa!" O sinal retornou ao verde e segui meu caminho, aliviado e feliz pelo instante de lucidez que me salvou do lugar comum. Fim de ano, o estresse é grande. Não vou alimentá-lo com mais irracionalidade.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Nove anos sem George Harrison

Tárik, o mais beatlemaníaco de meus filhos reclamou que ninguém lembrou que nesta segunda-feira (29) se completavam nove anos da morte de seu beatle favorito, George Harrison. Vítima de um câncer contra o qual lutava há anos, o mais discreto dos fab four, tinha 58 anos - minha idade hoje! Assim, 21 anos após a morte de John Lennon - assassinado por um desequilibrado - se dizimava definitivamente o sonho de termos os quatro juntos outra vez.

George era considerado o melhor músico do grupo por muitos críticos e fãs. Escreveu canções antológicas, como Something (que Paul McCartney cantou no Beira-Rio, dia 8), Here Comes The Sun, Taxman e muitas outras. Faleceu na casa de um amigo, em Los Angeles, ao lado da mulher Olívia e do filho Dhani, que na época tinha 24 anos.

Introduziu sons que marcaram época - os efeitos de guitarra em canções como I Need You, ou a citara indiana na linda Norwegian Wood, de John Lennon. Sons eletrônicos, sintetizadores foram apresentados aos demais Beatles também por ele que, como disse Paul, era um falso quieto: "Ele adorava falar, tinha um enorme senso de humor. Um grande homem. Eu o considerava meu irmaozinho", destaca ao enaltecer o amigo de infância e companheiro de banda.

É isso aí, Tárik. O Concriar não se omitiu. Hare Khrisna, George!

sábado, 27 de novembro de 2010

Flor de Cactus

A flor do cactus, que nasce em meio a espinhos, enraizada em terra seca e presa a um caule nada estético, insiste: todos os anos enfeita as paredes de minha morada, pintando de metáforas – as mais lindas – neste finalzinho de primavera.

Um sábado especial para todos meus queridos amigos!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O espaço entre os vagões

Neve de isopor, Papai Noel com barba de algodão, árvores plásticas e presépios de gesso. O que é verdadeiro afinal, nesta busca desesperada pelo espírito de Natal? O nascimento do Salvador para os cristãos, a celebração ao entendimento, para agnósticos. “Eu fico sempre muito triste, nesta época”, confidencia uma vizinha, chateada com a lista de presentes, o amigo secreto no trabalho e muito pouco tempo para refletir sobre o verdadeiro sentido de tudo isso. Logo em seguida é o réveillon com seus pulinhos nas sete ondas, roupas na cor da sorte para o novo ano, fartas promessas e ao final, remédio para toda a ressaca.

Meu avô Alfredo, uma vez me disse que o importante não era apenas dar atenção às datas festivas de final de ano, mas principalmente cuidar do vão entre o que se conquistou até o instante do brinde em família. Pode haver um grande fosso a engolir as coisas importantes que acabamos deixando de lado, por descuido ou fracasso. A virada de ano para muitos significará também um período de ansiedade. Quem sabe no vácuo das realizações, não encontremos soluções novas e criativas?

É tempo de sermos originais em meio ao igual. Eu por exemplo, encontrei entre vagões de acertos e mancadas – lições vivas do que não deverei repetir a partir de 2011. E para o Natal, sacarei do borrão scuro das lembranças, o guri que superava a infância pobre, de presentes escassos, com fé. Se não fosse naquele ano seria em outro para a conquista de tudo o que sonhara.
 
Os brinquedos humildes, empacotadas às pressas pelo Noel que tinha uma voz muito semelhante a de meu pai, bastavam para fazer daquela, uma noite única. Sim, eu sabia quem era o Noel da familia. E tinha amor e respeito à sua dignidade. O sentido de tudo isso, está aí. Vamos com calma às compras e dediquemos alguns minutos para uma visita àqueles vãos que guardam o mais intenso de nosso cotidiano afobado e que, às vezes sem sinais, explodem igual a crise arterial. Esse é o meu jeito de não contaminar meu espírito com mais dor nesta época. Melancólico? Pode ser, mas de uma melancolia aceitável, embalada por saudades de  tempos nem melhores, nem piores, mas bem vividos.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Macca arrasa em Buenos Aires

Em sua edição de hoje, El Clarin repete os elogios à energia e emoção da UP and Coming Tour de Paul MacCartney que mescla a garra de uma banda de garagem com a perfeição técnica de músicos profissionais. E esperam que a brecha deixada por sir Paul ao final do espetáculo, se realize:

"Con él, como con los Stones o con Dylan, nunca se sabe si habrá otra chance: está tan ligado a nuestras vidas, que ese rato que nos llevó a revivir momentos y experiencias hace que se le perdone lo que puede ser otra mentira piadosa del mundo del rock", disse o jornal ao comentar o "hasta la proxima", também dito por Macca aqui, em Porto Alegre. Tomara!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Maccamania nos colocou na mídia internacional

No círculo em preto, estão as costas, agora internacionais de minha esposa Magali

Quarta-feira, três dias após o banho de alegria e música de Paul McCartney e banda, tenho a sensação de haver participado de uma celebração, de um culto quase místico onde as pessoas, das mais diversas idades e regiões do Brasil e também países vizinhos, haviam atingido um estado de quase graça, que acabou surpreendendo até mesmo ao experimente ex-beatle e, a imprensa internacional que postou fotos da "Macca Village", ou a vila de Macca. surgida nos portões do Beira-Rio. Ainda nesta manhã, resolvi colocar o DVD do concerto em Nova Iorque para inpirar esse post e acabei comovido. “Virei um tio sentimental”, pensei. E aí, minutos depois, conversando com meus filhos, ouvi que haviam experimentado a mesma sensação – como se agora estivessem mais íntimos daquele inglês, que embora um “sir” condecorado pela rainha, agira no palco, com a simpatia e humildade de quem é de casa e ali, não faz mais do que sua obrigação. Nobreza, a meu ver, é isso.

Antes de iniciar o show, alguns jovens que estavam ao meu lado, ensairam vaias aos músicos da rápida e esquisita apresentação de abertura. Eu sei, era um estilo eletrônico, eles sequer haviam sido apresentados ao público, que esperava, ao menos, Kleiton&Kledir juntoa a Borghetinho. Não rolou! Mesmo assim, mereciam o respeito dos ouvintes. Deixei claro que não gostara daquilo e tive o apoio bem mais incisivo de minha amiga Denise Hogetop, que puxou as orelhas da gurizada. Eles nos ignoraram, é claro. Afinal, eram adolescentes e sabiam tudo. Mesmo assim, espero que tenham aprendido alguma coisa, a partir dos primeiros acordes de Paul e sua fantástica banda.

Ali estava um músico que fora muito além do que se convencionara para esse ou aquele estilo de canção, ou mesmo de atitude em relação a vida. Dentro daquela estrutura imensa de sons e luzes, estava um cara que até vaias enfrentara no início da carreira, imaginem! E aprendera, em palcos sujos e mal-iluminados, tocando não apenas para jovens como eles, mas principalmente para velhos marujos bêbados – que todo tipo de música seduz, desde que executada com a alma.

Paul, John, George e Ringo, lá no início dos anos 60, amavam o ritmo novo que surgia - o rock and roll -, e também a exeburante música negra norte-americana. Mas isso não os fechara a outros estilos. Quem houve Beatles encontra boleros, foxtrotes, valsas, além dos sons típicos dos camponeses bretões, além de experiências em música erudita. Não foi bloqueando a audição ao que lhes parecia estranho, ou sem graça que atingiram o estilo original que os levou à fama.

Em sua carreira solo, Paul investiu ainda mais nesta linha. Era o mais pop dos quatro ex-beatles. Pisou na bola algumas vezes, mas jamais desistiu da busca da melhor mescla de sons. E quando o escutamos, percebemos um som único, de personalidade forte e extrema sensibilidade, surgido é claro de todas as influências assimiladas em seus joviais 68 anos. Obrigado, Paul McCartney, por ensinar a todos a essência do verdadeiro “pop”  (e a provar que um verdadeiro mito, não alimenta a arrogância).

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Assistam a este clipe. Domingo, Liverpool é aqui!

A canção do baterista e ex-beatle Ringo Starr é linda. Homenageia Liverpool, cidade portuária como a nossa, que deu origem a revolução cultural e musical que no domingo (7) assistiremos em formato de grande espetáculo. Clique aqui e emocione-se.

Socorro! Meu filho quer madrugar na fila para o concerto do Macca

Comprar ingressos para o show de Paul McCartney foi o primeiro teste. Toda a família e amigos abraçados em códigos de cartões de crédito comprando o que era possível. Agora, de véspera, a expectativa. Uma tensão boa, ansiedade de assistir um concerto inesquecível. Tem gente formando fila no Beira-Rio, ainda hoje. Uma gurizida festeira. Bacana, isso! Estão lá para reverenciar senhor de 68 anos, mais velho que seus próprios pais! A diferença é que seu trabalho se renova a cada década e aproxima gerações.


Tárik, 14 anos, meu filho mais novo, já combinou com um colega montar acampamento nos portões do Beira-Rio. O pai deste colega concordou um passar a noite lá com eles. Graças aos céus! Para o teste da fila, não contem comigo! Se ficar um dia e uma noite inteiros ao relento, não entro. E quero curtir cada canção, ao contrário da gemedeira que seria caso eu madrugasse ao relento.

Este domingo representa a retomada da UP And Coming Tour – a banda está afiadíssima – escutei e recomendo a meus seguidores blogeiros, o vídeo da apresentação de McCartney no programa de Jools Holand, na sexta-feira passada. Dá prá sentir o que vai ser aqui. Pauleira pura! O melhor do pop-rock estará entre nós. Aliás, os músicos chegaram, foram flagrados comendo pizza na Padre Chagas. Gente boa, artistas fabulosos, sem máscaras: Paul “Wix” Wickens, teclados, o guitarrista Brian Ray – que lançou um CD bem legal, recentemente, o baterista Abe Laboriel Jr (filho do baixista de jazz mexicano Abraham Laboriel) e o guitarrista Rusty Anderson.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Bons preços nos balaios da Feira

Confesso que andava enjoado da Feira do Livro de Porto Alegre. O espaço cresceu bastante, dezenas de livrarias com tudo muito parecido – best sellers, na maioria – e poucas excentricidades, coisas raras e principalmente, escassos bons preços. Os balaios dos últimos anos, pelo menos em minha tosca avaliação, andavam muito tímidos. E tudo isso, andando em fila indiana, sem tempo para sentir o cheiro, descobrir um parágrafo interessante, uma frase que me desperte a vontade de desbravar a proposta do autor. Por isso, foi meio à força, levado pela curiosidade e paixão de minha mulher pela feira, que aceitei passear por lá. E me surpreendi positivamente com o que vi.

A Praça dividida entre as obras de recuperação do Centro Histórico, encontrou uma solução satisfatória para os livreiros que, por sua vez, colocaram bons títulos em seus balaios. Obras razoáveis a partir de três pilas! Por exemplo, “O mundo em seus sonhos – Aprendendo a sonhar “ – de Eduardo Esteves (Berkana Editora), custou apenas R$ 5. “Deu no New York Times” (Objetiva) do jornalista norte-americano Larry Rohter (aquele mesmo que Lula tentou expulsar do País), compramos por R$ 20, mas depois achamos por R$ 13, ou seja, vale a pena pesquisar, antes de fechar negócio.

O pessoal que curte livros místicos, pode levar por R$ 10, uma viagem interessante pelos locais do antigo testamento em “Pelos Caminhos da Bíblia” de Bruce Feiler (Sextante). Tem aventura, arqueologia e faz as horas passaram gostosamente. Isso é tudo o que um bom livro devo nos oferecer: o bendito prazer da leitura. O resto é tese de mestrado e arrogância de críticos malas. Da mesma editora, levamos também “O Extraordinário Poder da Intenção”, de Esther e Jerry Hicks, que minha cara metade garante, nos ajudará enfim, a sair dessa inhaca implacável. Missão tão nobre por míseros R$ 5.

Outra valiosa aquisição, "Maria Madalena e o Santo Graal – A Mulher do Vaso de Alabastro” de Margaret Satrbird, custou R$ 10. É um dos livros que inspirou O Código da Vinci, afirmam seus editores e discute se Jesus Cristo teve ou não, uma esposa. Se minha mãe sabe que comprei isso, vai me obrigar a rezar uma 20 avesmarias. E falando em esposas, a minha localizou o guia “As mulheres e o dinheiro” (Nova Fronteira), de Suze Orman que nem vou tentar ler, devido a extrema complexidade. Ficção pura. Deixo com ela.

Para escapar do esoterismo e da literatura histórica, adquiri por apenas R$ 12, a publicação “Receitas Maravilhosas de Peixes”. Muitas fotos coloridas, textos simples e dicas fáceis para o cozinheiro aqui. Tanto que abriram meu apetite naquela primeira noite de feira. Encerramos o passeio brindando as boas compras com chope e uma tábua de frios. Gastar pouco em livros, permite uma reserva para o happy hour, ora.

sábado, 30 de outubro de 2010

Pronto-socorro para casamentos entre chatos

Recebi  nas últimas semanas, quase duas dezenas de e-mails com dicas para salvar, ou evitar, casamentos em crise. Tudo em função dos temas que disponibilizo aqui. Não sou especialista mas um jornalista que especula a existência humana, sempre no sentido de torná-la mais divertida. Li teses de mestrado, doutores em psiquiatria e psicologia, mães de santo, pastores e padres. Alguns casados, outro teóricos apenas. A grande maioria valoriza o sentimento amoroso e anda preocupado com o casa-descasa entremeado de traição ou total desisteresse por uma saudável vida a dois.

As dicas chegam a parecerem ridículas quanto lidas mais atentamente: “romantismo que estimule a criatividade do casal" ou "cultivar momentos a dois. Passeios, cinema, sair para dançar. Criar oportunidades para o lazer, não só rotinas e obrigações cotidianas”. Qual a novidade, senhores? Agora mais essa: "exercite a mente com pensamentos estimulantes ou eróticos durante momentos diversos do dia: pensar em sexo é um grande afrodisíaco".

Não acredito! É verdade? Imaginem este gordinho que vos digita tendo uma idéia sexy até alguém o chamar com urgência. Constrangedora situação. "Hum... Sim? Responderei languidamente, enquanto o corpo se prepara para algo melhor que não acontecerá.  Os conselheiros profissionais afirmam ainda que as mulheres adoram elogios. Isso é inédito! Como não percebi antes?

Em outras palavras, não existem segredos ou mistérios. Só não podemos nos transformar em gente sem graça. Gente do tipo cercada de parentes chatos, amigos mais inconvenientes ainda e uma administração errática do cotidiano. Passear faz bem? Mas como evitar de levar a sogra - ou irmãos e primos - quando estes vivem com o casal e não dão folga? Chatos!

Como pensar em sexo durante o dia, se à noite já é  trabalhoso convencer uma das partes a uma relaxante rapinha? Imaginem ela à tarde, administrando o lar, abraçada em balde e esfregão, ou ele no escritório, com um chefe que fiscaliza cada tomada de ar mais longa, cada olhar perdido em pensamentos? Ou em uma situação mais moderna, onde ele esfrega o piso da casa e ela, administra os negócios da família. O cansaço é idêntico, a rotina segue o mesmo caminho. A chatice predomina quando agimos assim.

Na grande maioria das vezes, não são os casais a errar. É a chatice coletiva que impera e os transforma nisso que está aí. Colegas de trabalho sanguessugas, missões profissionais tão impossíveis quanto aquelas dos filmes. Mas o teu marido sempre foi um mala sem alça? A tua mulher uma infeliz que só sabe reclamar? Bom aí a culpa é sua, reconheça que a coisa pode melhorar.

Quem mandou ser inseguro e achar que nesta idade não pegaria mais ninguém? Ora, quem se ama, confia mais e seleciona melhor. Mas este assunto também é tema de outras literaturas, talvez menos óbvias. Quem sabe nestas, a responta anti-chatice?

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Relacionamentos impotentes, segue o debate

Entre as muitas mensagens que recebi – e que continuam a chegar – a respeito do polêmico tema da traição, a carta do leitor Marino Warhen, de Arroio do Meio, enviada ao jornal O Alto Taquari, onde escrevo uma coluna semanal, foi a que melhor percebeu a provocação no artigo Brasil, o paraíso dos amantes impotentes.  Ele reconhece as dificuldades de todo casamento, mas defende o jogo limpo da fidelidade e a importância da família na formação de um futuro mais civilizado e ético. Marino aborda o assunto com sobriedade por isso, o disponibilizo à avaliação dos leitores do Concriar.

“Há muitos anos sou leitor assíduo do jornal O Alto Taquari. Leio com prazer sua coluna semanal. Discordo, porém, das afirmações feitas no dia 15, no texto A verdade dos amores impotentes. Seu texto foi motivado pela notícia divulgada nos veículos da Rede Globo sobre a infidelidade conjugal, pesquisa do instituto "Tendências Digitales". Com base nestes resultados, afirmar que a vida a dois é medíocre ou que é impossível ficar uma vida inteira juntos sem ter uma amante, me parece não corresponder a verdade absoluta. Principalmente na nossa região (Vale do Taquari) onde ainda se valoriza o casamento estável.

Concordo que a rotina corrói a paixão e a fantasia, mas não as destrói. Perguntar se ainda vale a pena casar, digo que sim porque no casamento há outros valores além do sexo. Na família, no aconchego do lar, as pessoas se gostam, se amam, se alegram, confraternizam. Vibram com os sucessos e se unem para transpor obstáculos. É no núcleo familiar que se forja o cidadão do futuro. Tudo isso, se o casal se ama, sabe perdoar, reconhecer e respeitar os limites do (a) parceiro(a).

Eu nasci em 1941, sou bem casado. Tenho muitas alegrias com meus três filhos e dois netos. Na vida precisamos avaliar a escala de valores. O que é mais importante? Os prazeres sexuais? Tem também sua fundamental importância. Colocá-los, porém, no topo da escala me parece duvidoso. Se quiséssemos fugir da rotina e satisfazer plenamente nosso instinto sexual, teríamos que fazer um rodízio anual com as amantes. Seria perigoso e, com certeza, traria muitos conflitos, vícios, drogas... A violência em nosso país certamente aumentaria ainda mais. (Veja o caso do goleiro Bruno)

Estimado jornalista! Desculpe a minha ousadia. Estou remando contra a correnteza. O mundo atual pede sempre mais liberalidade. Sua pergunta no final do texto mexeu comigo e, com certeza, de muitos outros leitores do nosso jornal". Marino Warhen - Arroio do Meio, RS.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Jeitinho afro-germânico na posse de Néstor Kirchner, em 2003

O ex-presidente argentino faleceu nesta quarta-feira (27) e o Giba Jasper lembrou uma história muito engraçada de quando ainda assessorava outro ex, o Rigotto, então governador dos gaúchos (e ainda vivo!)

No dia da posse de Néstor Kirchner, em 2003, acompanhei o governador Germano Rigotto a Buenos Aires, na companhia do fotógrafo Nabor Goulart. Na véspera fomos à Embaixada do Brasil buscar as credenciais, mas a desorganização era enorme. Resultado: só o meu documento ficara pronto. No dia da posse, Nabor pediu para olhar a credencial e imediatamente pendurou no pescoço: "Agora é minha!", disse o larápio (que passou por toda segurança argentina carregando no peito a foto de um loiro de olhos azuis, sendo ele negro ébano).  Resolvi encarar o batalhão de barreiras e seguranças sem o documento.

Um grupo de 30 jornalistas se deslocou num ônibus que estacionou a cinco quadras do Parlamento argentino, local da solenidade de posse. A cada quadra havia divisores físicos com soldados, seguranças e burocratas de todos os calibres. Quando um deles se aproximava e começa a conferir os passes, eu fazia de conta que estava ao celular para encobrir meu peito onde deveria estar a enorme credencial.

Ultrapassei todas as barreiras, mas na entrada do Parlamento, fui barrado: "Alto!", disse um vitaminado segurança com dois metros de altura e outro tanto de largura. "Donde está su passe?", gritou. E eu, num ato reflexo, apalpei o peito e fiz cara de surpresa: "Mi passe, donde está mi passe... me sacaram el documento! Socuerro", berrei num portunhol de chorar.

Fui salvo por um integrante da comitivia do Presidente Lula com quem tínhamos ótima relação. "És mi hombre!", gritou de volta, soando como um salvo-conduto. Entrei no Parlamento e acompanhei toda a cerimônia sem problemas. Depois fomos comemorar no MacDonald's e dar boas risadas...
(Gilberto Jasper Jr.)

domingo, 24 de outubro de 2010

O fiador, o jornalista, o cozinheiro e um final feliz

Agora, neste exato momento, eu poderia estar sentado à beira do caminho. Triste. Virando uma página em branco, urso acordando da hibernação, abraçado no travesseiro da culpa. Poderia caprichar em um post desolado, perdido em auto-piedade. Eu, fiador de tantos sonhos, tantas fantasias, sempre com a estranha mania de pagar pela incapacidade de dizer não. Eu, a rugir uma fome que nunca sacia. Não sou assim, prefiro buscar novos ingredientes e acertar a mão na comilança da felicidade.

Bem que poderia chorar a incerteza do amanhã. Consolar-me com as mãos que se oferecem a uma carícia nunca totalmente gratuita. Em tempos de disputar votos, vejo amigos arrastando ideologias, como quem acende velas ao vento. Incorporam discursos – direita e esquerda – tão distantes e tão próximos em suas bandeiras desfraldadas a ocultar a  miséria das ruas, a ignorância. Sinceramente, este período está me deixando sem graça, tiririca da vida. 

Eu poderia abrir o voto. Cantar um hino de campanha. Quem sabe arrepender-me das propostas que recusei, das virtudes que neguei. E àqueles que me insultaram quando ousaram me medir com a régua rasa da sua própria mediocridade, bem que poderia ter-lhes respondido com o melhor de meu sarcasmo e neutralizar a humilhação imposta. Mas estes, eu os vejo solitários em sua trajetória anacrônica, mendigos de perspectivas.

Diante do espelho percebo que a dieta não engrena. Cuida-te, gordinho! Diante de tudo que acontece a minha volta, nem sei se terei trabalho na virada de ano. Meu advogado negocia o pagamento de uma dívida que afiancei. Vejam! Eu ainda sou o tipo que assina fianças! Mais uma vez, a decisão tomada pelo vil coração é assaltada pela crueza da realidade. Lição anotada.

Sim, eu poderia levar o urso de volta ao sono de um inverno que está de partida. Quem sabe soterrar a razão no fundo da mina abandonada e não voltar mais. Não me salvem! Mas tudo é muito maior. A atenção de um amigo na hora difícil, o amor macio de minha amada. A família doida de atar, mas sempre presente. Café com leite, feijão com arroz e aquela almôndega tão macia que somente a mãe sabe fazer. É isso que importa.

As madrugadas com seus fantasmas, afasto com um copa d'água e uma respirada funda do ar gelado do alvorecer. Em seguida, o café coado é a primeira lição de que muitas coisas sempre serão mais perfumadas do que gostosas. E assim se leva a vida. E a quero muito. Preciso cozinhar ainda para muitos outros bons amigos. Alguns tão próximos, outros mais distantes mas todos sempre bem-vindos a minha maturidade.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Dica de Livro: o sempre ótimo Celito De Grandi

Recomendo a leitura do mais recente trabalho do jornalista Celito de Grandi, Caso Kliemann - A História de uma tragédia.  Mais detalhes sobre a obra, confiram na postagem de outro talentoso profissional de imprensa gaúcha, Flávio Dutra. Para acessar o link, basta clicar aqui

OBS: Durante a sessão de autógrafos, quarta-feira à noite, na Assembléia Lesgislativa, meu lado colunista social percebeu a movimentação do público feminino que, talvez incentivado pelo magnífico espumante servido, não poupou observações do tipo: "Como ele é fofo!" Esse Celito...

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Dica cultural: exposição de pinturas de Giana Kummer

Talento da nova geração de artistas gaúchos, Giana Kummer, apresenta seu trabalho no espaço cultural da Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Vale a pena conferir a partir desta segunda-feira (18) até dia 5 de novembro.

"Em minhas pinturas, eu permito ao meu boneco cavalo tomar banho em uma banheira, assistir a seus programas favoritos na televisão, dormir em uma cama confortável após ler um livro com seu ursinho de pelúcia, dirigir pelas ruas da cidade, utilizar o banheiro, ter momentos de lazer e aventura, dentre tantas outras atividades cotidianas permitidas na vida real apenas a nós, humanos".

Data: 18/10 a 05/11
Evento: Exposição de Giana Kummer - pintura
Local: T Cultural Tereza Franco - Câmara de Vereadores de Porto Alegre

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Até quando trai o homem é mais fiel...

Matematicamente falando, se 70,6% dos homens e 56,4% das mulheres já traíram significa que os homens traem mais que as mulheres. Considerando que deve existir um casal para a traição, podemos concluir que as mulheres já trairam com mais homens do que os homens com menos mulheres. Donde se deduz que as mulheres são mais promíscuas. Em outras palavras: mesmo traíndo o homem é mais fiel que as mulheres.

(Comentário postado por Nopin no artigo O paraíso dos amantes impotentes)

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Brasil, o paraíso dos amantes impotentes

Quem acompanha este humilde, mas interessado blog, não se surpreendeu com a notícia divulgada nesta quarta-feira (13) pelo jornal  O Globo: o Brasil apresenta os maiores índices de infidelidade e também, de disfunções sexuais (impotência), de toda a América Latina. A pesquisa feita pelo instituto Tendências Digitales em 11 países da região, revela o que já venho percebendo faz algum tempo. Por exemplo: o percentual dos que traíram pelo menos uma vez na vida chega a 70,6%. Entre as mulheres, o número é 56,4% — ou seja, as brasileiras são as que mais traem entre os latinos! O mulheredo anda soltinho, soltinho. O levantamento avança e  mostra que apenas 36,3% dos brasileiros nunca traíram um parceiro.

É a ciência explicando casos como a série que postei aqui, sobre os sócios de trabalho - ambos teoricamente bem casados - que estão próximos a um affair. Cada vez mais, segundo a pesquisa, as pessoas acham difícil permanecer uma vida inteira juntas sem dar uma única escapada extra-conjugal. Os que não o fazem, acabam perdendo a intimidade com as esposas e tornam-se tios impotentes e depressivos. As mulheres, perdem igualmente o interesse pelo sexo. Então, para não precisarem "discutir a relação",  partem para a traição com um amante exclusivo ou mesmo, vários amantes.

E a internet? Ou sexo virtual não é traição? Em outras palavras, a eterna insatisfação da espécie humana, cria atalhos cada vez mais especializados e tecnológicos para justificar aquele delicioso prazer de alguns minutos. Satisfação que vai além do sexo, mas envolve auto-estima e a sempre viva necessidade de se sentir desejado.

O especialista em sexualidade Alexandre Sadeeh do Hospital das Clínicas da USP, afirmou o óbvio: “Falta intimidade entre os casais. A paixão, o encantamento, o amor do início do casamento são destruídos pela rotina”, diz na matéria de O Globo. E o distanciamento da relação leva à fantasia, a vontade de reafirmação em outras conquistas. E aí - diante de tantas pesquisas que comprovam os labirintos da vida a dois - eu me pergunto: casamento ainda é um bom negócio?

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Quando elas querem uma aventura - Epílogo (eles morrem de medo...)

(clique aqui para os links anteriores: parte I, parte II e parte III)
Vale a pena o risco de uma traição em nome da aventura? A situação de um amigo e colega que enfrenta o assédio da sócia – jornalista bonita e inteligente – viveu momentos tensos no período eleitoral. Ao contrário de muitos, a dupla estava sem o que fazer. Onde existe calmaria, sobra tempo para a imaginação fértil. O marido da sócia, mais uma vez em viagem de trabalho pelo interior, deixava a mulher entregue às fantasias e a uma brutal carência afetiva. Desde que iniciei estas postagens em série, ela sofrera visíveis mudanças físicas. Emagrecera, passou a cuidar mais do visual, tudo em função da decisão de tornar-se amante do sócio.

Mas como este meu parceiro assustou - e confesso que o aconselhei a afastar-se da tentação - ela, a cada dia tornava-se mais agressiva nas investidas. Beirava o vulgar. Novos perfumes, olhares cheios de paixão, e verdadeiros ataques às sombras, em locais públicos, além de torpedos cada vez mais ousados no celular. Meu velho parceiro percebi que estava colocando em risco seu próprio casamento.

Estava na hora de decidir entre dois contratos: um puramente comercial e outro, familiar. Com a sócia, é um negócio rentável, com uma carteira de clientes que lhes mantém em intensa atividade. Em casa, mantém uma relação amorosa satisfatória, se comparada a média. Eu lhe advertira que o contrato de amante dura exatamente o período, muito breve, do tesão. Depois, se iguala ao que se tem em casa. Assim, no dia 4 de outubro, enquanto a mídia analisava os resultados das urnas, os dois ainda não haviam elegido suas prioridades na tal aventura. Inicialmente era para ser livre de amarras e regras. Agora, em outras palavras, discutiam a relação.

Foi neste encontro que a sócia, até então, de atitudes aparentemente vulgares deu lugar a outra, que revelava viver um momento único: “Nunca senti isso por outro cara. Não sou sempre assim, mas teu jeito de falar, a maneira com tratas a tua esposa - minha querida amiga -, tudo isso me levou a criar essa fantasia. E queria provar deste mel por algum tempo”, confessou. Em outras palavras, eles sequer haviam consumado o ato libidinoso e ela se antecipava, confessando um amor pelo sócio de tantos anos. Revelava ainda imensa inveja da vida doméstica dele.

Ele escutava e sentia acender-se a luz vermelha da razão. E decidiu: "Não sou homem para ter amante. Eu perderia uma sócia e uma vida doméstica razoável", me disse, preocupado com um futuro caos afetivo. Assim, continua a parceria profissional e os respectivos casamentos. Ambos aparentemente conformados com a própria sorte.

A lição de tudo isso, é única: para se ter um aventura extra-conjugal, não se deve pensar, medir conseqüências. Bateu vontade? Ao ataque! Depois sim, vá conferir o resultado. Agora, eles transformaram a possibilidade de uma aventura em namoro. Coisa de amadores, diriam os sem-vergonhas, digamos assim. O chato tem sido os sonhos com a sócia... Cada coisa! Mas isso não posso contar no Dia da Criança.

sábado, 9 de outubro de 2010

Lennon e o Homem de Lugar Nenhum

Manhã de sábado e fui convocado por meu pai para ajudá-lo no rancho. Estamos falando dos anos 60 e comprávamos na Cooban, a Cooperativa dos Bancários, na Lima e Silva, exatamente onde hoje temos uma moderna loja do Zaffari. No segundo andar havia o setor de roupas e armarinho, como se dizia. Lá vendiam discos, fantásticos bolachões em vinil. Guri sedento de novidades puxei aquele LP de capa esverdeada com a foto distorcidade dos quatro cabeludos de Liverpool, era a imagem do novo - o psicodelismo com o título em letras distorcidas: "Rubber Soul". Beatles eram revolucionários a partir da embalagem.

Mas foi um canção que me pegou: "Nowhere Man" de John Lennon, sobre o homem de lugar nenhum, sem  opinião própria, fazendo planos para ninguém... "Não seria ele um pouco como eu e você?" perguntava. Estes versos me pegaram com força e a partir dali, toda a vez em que me encontro embretado pela vida, lembro destes versos.

Lennon escreveu muitas outras canções maravilhosas, polêmico, esteve presente quase que diariamente na mídia internacional, em um tempo sem internet. Mas o Homem de Lugar Nenhum  está sempre aqui, comigo. E lamento que neste sábado, não possa "tuitar" com John, ou localizá-lo no seu Facebook para agradecer as muitas vezes em que salvou minha vida com sua personalidade, criatividade e principalmente, acima de tudo, seu imenso amor ao rock and roll.

Happy Birthday, John!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Blog do Previdi anuncia: antes de McCartney, tem Heron Vidal no Vermelho 23

Antes de Paul McCartney, outro veterano baixista - meu colega, o jornalista Heron Vidal - se apresenta com sua banda Deadline nesta sexta-feira, no Vermelho 23 (atenção! o bar não aceita cartões ou cheque). É o início da temporada beatle no Sul.

Leiam o que diz o sempre ótimo site do Previdi (http://www.previdi.com.br/)
"Deadline ataca de novo!!

A banda Deadline, formada pelos jornalistas Ricardo Azeredo (TVE, guitarra e voz), Daniel Soares (Correio do Povo, guitarra), Elio Bandeira (ZH, bateria), Heron Vidal (baixo) e Luiz Gonzaga (vocal), ambos do Correio do Povo, se apresenta nesta Sexta no Vermelho 23 Pub, às 23h. O Pub fica na Bento Figueiredo (liga a Felipe Camarão à Ramiro Barcelos), no Bomfim. A Deadline toca Oasis, Coldplay, Deep Purple, Barão Vermelho, U2, Radiohead, Capital Inicial, TNT, Papas da Língua, Midnight Oil, Doobie Brothres, Steppenwolf, Clapton, Beatles, Stones, Duran Duran, Creedence e outros.
Diversão garantida no embalo dos "fab five" da imprensa gaúcha!
Roqueiros, todos lá!
Querem apostar?
O Dinho Daudt vem de Garopaba para o show.


Olha a foto
O ângulo poderia ser melhor.
Detalhe para as calvas!!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Sócios e amantes. Será possível?

Amigo leitor do Concriar, o que você faria se uma sócia e parceira de trabalho o assediasse sem pudores? O epílogo da aventura de um colega jornalista vai ser postado ainda hoje. Será que ele cedeu?

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Um pouco de auto-ajuda à moda antiga

"Toda ação é restauradora e construtora de confiança. A inatividade não só é o resultado, mas a causa do medo. Talvez a ação que você tome tenha êxito; talvez uma ação diferente ou ajuste seja necessário. Mas qualquer ação é melhor que nenhuma."

A frase é do pastor e pensador positivista norte-americano Norman Vincent Peale, autor de um típico clássico da literatura de auto-ajuda “O Poder do Pensamento Positivo”. Desculpem, críticos deste estilo, mas o livro me foi presenteado faz mais de dez anos. Estava lá, intacto. A frase, ilustrava a dedicatória, assinada por meu amigo Rogério. Se era para ajudar, realmente animou a manhã de uma segunda-feira cinzenta.  Outra citação bacana de Peale:

"O covarde nunca tenta, o fracassado nunca termina, o vencedor nunca desiste." Meus colegas jornalistas intelectualizados, podem criticar este momento auto-ajuda, mas que me fez bem, lá isso fez, nesta segunda-feira cinzenta.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Dia da Secretária, São Jerônimo, do Tradutor, da Bíblia. E do Ari...

A secretária da redação, minha querida amiga Nora Elza já ganhou perfumes e flores. Dezenas de abraços, também. Ela merece. Aguenta todas as malas, dá um tranco nos estressados e faz milagres para resolver os problemas de uma agenda de trabalho ultra-instável.

No município de São Jerônimo é feriado - dia do Santo Padroeiro, afinal. Eu não sabia, mas hoje é também o dia da Bíblia! É a palavra Dele. Puxa vida! Também celebramos neste 30 de setembro, o trabalho do tradutor! Parabéns tradutores. Mesmo aqueles que colocam expressões esquisitas nos filmes americanos como, por exemplo, "Estou de olho naquela pequena..."

Nunca ouvi alguém fora da telinha da tevê chamar qualquer mulher de "pequena".
De qualquer maneira parabéns! E obrigado aos muitos amigos, que diante da grandiosidade dos homenageados do dia, lembraram deste humilde blogueiro e o saudaram pelos 58 anos de vida. Credo!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Confirmado: Paul McCartney se apresentará em Porto Alegre

Foto: site da Up and Coming tour

Agora é oficial, não tem mais choro nem vela. A turnê Up and Coming de Paul McCartney estará em Porto Alegre, dia 7 de novembro, um domingo, no Estádio Beira-Rio. A notícia foi confirmada pelo Clic RBS e já estou pensando de onde  tirar a grana para os ingressos. Será que eles aceitam Visa? Sim, porque a filharada é fã do parceiro de John Lennon. Também estão confirmados shows em São Paulo (21 e 22) e Buenos Aires (10 e 11). O repertório desta temporada é muito bom - inclui canções da fase com os Beatles, depois com o grupo Wings e a recente carreira solo.  Imperdível!

Clapton, um ex-deus faz música celestial

Na juventude ele era aclamado God (Deus), pelos fãs. Mais do que virtuosismo, Eric Clapton colocava sentimento em seus acordes e solos e assim, transformava as apresentações com sua banda, Cream, em místicas celebrações ao amor. Não esqueçam, eram os anos 60! O problema é que ao sentir-se um ser supremo, Clapton acreditou não ter limites e abusou da sorte. Drogas, bebida e amores complicados (tomou a mulher do amigo George Harrison). Tantos excessos cobraram seus preço. O ex-deus pagou o preço e ao comprar um outro bilhete (Another Ticket)e  retomou a carreira artística e a vida pessoal, desta vez mais centrado. 

Agora lança este álbum que me soa intimista, macio, para ouvidos que buscam a experiência de um deus transformado em gente. A capa do álbum mostra um sujeito que não tem medo de expor as marcas do tempo. a música é suave, pop com pitadas de blues - com emoção e vigor juvenil. Tem participações de artistas consagrados como Sheryl Crow, JJ Cale, Allen Toussaint (Dr John), Wynton Marsalis, Derek Trucks, Trombone Shorty, Jim Keltner entre outros. 

O Giba Jasper indicou, eu conferi e embora não seja crítico musical, aprovei. Algumas canções se destacam como When Somebody Things You Are Wonderful (Quando alguém pensa que você é maravilhoso). Tudo a ver!  

terça-feira, 28 de setembro de 2010

McCartney nem chegou e já tem briga entre fãs

No site, nem Sampa ou POA estão agendados

Virou polêmica entre beatlemaníacos a vinda de sir Paul McCartney ao Brasil. Na menhã desta terça-feira (28) fui conferir novidades no portal http://www.thebeatles.com.br/ . Alimentado por um grupo de beatlemaníacos muito bem informados, eles sempre tem notícia e dicas precisas sobre o mundo pop dos anos 60 e 70. Eu queria saber se Porto Alegre está realmente fora.

E pelo que foi postado lá, nem as datas em São Paulo estão confirmadas. Segundo o site, que buscou informações junto ao fundador do fã-clube Revolution, o paulista Marco Antônio Mallagoli, a coisa não está totalmente fechada. Ele diz que falta assinar o contrato e assim, é um risco afirmar-se que Macca se apresentará no Morumbi, nos dias 21 e 22 de novembro. E recomenda que se confira o sempre bem atualizado site do ídolo  "Lá não tem nada sobre o Brasil na agenda de show", garante.

Inconformados, visitantes do portal criticam a postura do fã. Dizem que está frustrado por não ter sido ele a dar a informação, e o apelidam de “Malla”. Outros o acusam de querer faturar com a paixão pelos Beatles. “Como vive de excursões pra levar fãs pra assistir Paul no exterior pra ele não é vantagem nenhuma este anúncio...”, insinua uma visitante do site. Baixaria, gente. Cadê o paz e amor beatlemaníaco? Em outras palavras, insinuam que o cara é um fã picareta.  

Assim, caros freqüentadores do verdadeiramente pacífico blog Concriar, a única coisa certa nesta questão  sobre a possível vinda de McCartney ao Brasil é que eu e meu amigo Giba Jasper, vimos o ex-beatle no Shopping Rua da Praia. E estava com jeito de quem adoraria cantar em Porto Alegre.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Porto Alegre não tem con(s)erto: McCartney só no corredor aéreo

Desta vez passou bem próximo. O gaúcho Dody Sirena, empresário de Roberto Carlos e tantos outros astros, envolvido com os shows de Paul McCartney no Brasil ainda não confirmou, mas minha filha já leu em jornais on line que o ex-beatle vai concentrar seus espetáculos em São Paulo, no Murumbi.

Desculpem o trocadilho, mas Porto Alegre não tem conserto mesmo. Quando o espetáculo é grande, a capital volta a ser a mesma província esquecida do extremo sul do país. Macca cruzará o céu dos gaúchos ao partir de Buenos Aires – onde deverá apresentar-se na primeira quinzena de novembro -, a caminho de Sampa. E nós, outra vez obrigados a financiar passagens aéreas além de ingressos.

sábado, 25 de setembro de 2010

Mulher passa a mão na bunda de homem

De plantão no sábado, decidi almoçar no shopping Iguatemi de Porto Alegre. Conservador, ainda curto o charme do lugar que acolheu - lá no início - uma loja da Sandiz, lembram? E estava eu ali próximo ao relógio, quando a cena me chamou atenção. Jornalista é pródigo em perceber movimentos que escapam da rotina. Ela bem bonita em seu jeans deliciosamente justo, seguiu o sujeito com os olhos. Fera na caça. Meio-dia. Todos famintos. Trocaram olhares. Ele percebeu que era seguido. Entrou na loja - procurava um tênis ou qualquer artigo esportivo - mas a mulher, seguiu adiante.

Eu já considerava o momento perdido quando percebo que ela retorna. Com os olhos azuis claríssimos, busca o macho concentrado, naquele exato momento, nos modelos de tênis com suspensão, amortecedores variados de impacto, etc. Ela, em sua despojada elegância aproxima-se da vitrine. Ele não percebe ao sair - sem ter comprado nada -, que ela o segue.

Ousada, pouco interessada na gente que circulava por ai, lança a mão de unhas bem feitas na bunda de sua vítima. Um toque macio, rápido e preciso. Sem a vulgaridade do ato quando praticado por homens. Os olhos da moça tinham alegria de criança arteira a roubar um doce. O rosto assustado daquele homem a transformar-se - lentamente - em um sorriso conivente, salvou a tarde.

Seguiram praticamente um ao lado do outro e imagino que a esta hora, se os deuses marotos do amor estão de bom-humor, devem te-los incentivado a divertirem-se da melhor maneira possível. Daquela maneira. Morram de inveja!

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O sempre lindo entardecer às margens do Guaíba

Eu me criei de frente para o Guaíba. Em minha primeira infância, vivia em um imenso casarão nos altos da Luiz de Camões, no bairro Partenon. Tinha um balanço – daqueles de corda amarrados a um tronco de árvore – de um onde eu me encantava com as cores do céu, da água e com os navios que chegavam ao Porto. 

Quando retornei ao Menino Deus, bairro onde nasci, não cansava de admirar a beleza do sol que se punha pintando de um vermelho bem quente o calçamento recém feito da rua Costa, onde morava. No verão, a turma costumava ir em grupo pescar lambaris e nadar na praia que, na época, era chamada de rio e não também não tinha poluição.

Hoje o Guaíba é oficialmente um lago, na minha adolescência fora estuário. Não importa. Eu o guardo na memória e assim, preservo aquele cheiro gostoso de água cristalina além de sua grandiosidade e beleza. A maravilhosa foto de Lívia Auler, capta a partir de outro ângulo, um momento igualmente fantástico do Guaíba, às margens agora de uma cidade com mais cimento e poluição. Mas sem perder a majestade, torna tudo mais bonito e humano.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Quando elas querem uma aventura - Parte III


Na semana passada, meu amigo ainda tentava escapar da sócia apaixonada, lembram? O marido dela, ingenuamente, solicitara para que a levasse ao litoral – afinal, como vocês lembram, além dos negócios são amigos em família. A possibilidade de dividir o mesmo espaço com ela e a esposa, gelou o sangue no primeiro momento e o ferveu logo a seguir. “Não vais perder essa chance, não é?” cobrou ela por telefone. E lembrou que permanecera um dia inteiro na estética só para cortar cabelo, fazer unhas e depilar-se. “Estou macia e cheirosa”, cochichou.

“Combinei reunião, no sábado, para decidir sobre o material de divulgação da nova linha de roçadeiras”, respondeu. Mas uma mulher decidida, não se entrega: “Eu sei que brincavas comigo, mas eu levei a sério. Estás fugindo hoje, te pego amanhã”, sentenciou. Imediatamente ele lembrou daquele sorriso debochado e tremeu. Pior, em casa, a situação não estava muito boa. Havia discutido com a mulher, sempre aquelas chatas questões domésticas.

A esposa, ele via toda manhã maquiar-se para o trabalho e sair com uma elegância discreta e cheirosa e, ao final da tarde, chegar cansada, doida para despojar-se das roupas. Calçava um chinelo velho, vestia aquele abrigo desbotado e os seios bonitos, escondia com qualquer camiseta das tantas que ele ganhava em feiras rurais. A sócia repetia a rotina da esposa, com certeza. Mas conviviam em horário comercial. Nos últimos dias, abusava dos trajes provocantes, fendas em saias e blusas, calças justas e perfumes devastadores. É uma competição desigual, reconheceu. Os casais se transformam em espantalhos quando retornam ao lar, ou seja, afastam o desejo em nome do estresse cotidiano.

Quinta-feira passada, não teve como evitar uma carona à sócia que, evidentemente, avançou nas investidas. O trânsito doido de São Paulo foi cenário de mãos naquilo, beijinhos úmidos no pescoço de um homem tenso de uma maneira que ela constatou, diretamente, sem pudores. “Desculpa, mas eu estava louca para beijar, agarrar e sabe lá mais o que. E aí escolhes o caminho mais engarrafado. Azar teu, cansei de ficar no seco, só na expectativa”, resmungou, dona da situação e totalmente indiferente aos veículos mais altos - especialmente ônibus lotados - que poderiam perceber a movimentação descontrolada através dos vidros protegidos por filmes escuros.

No semáforo (estamos em São Paulo) vermelho, ela aproveitou que ele virara-se para comentar sabe-se lá o que e lascou um beijo do tipo invasivo, que sufoca mas não rouba o ar, pelo contrário oxigena o sangue, acelera o coração e imobiliza todas as defesas. Foi interrompido pelo som estritende das buzinas e pela mão marota da sócia que o impedia de engatar qualquer marcha naquela situação. Deu partida pensando em uma rota alternativa para qualquer lugar. Sem veículos, buzinas, gente neurótica ou compromissos formais. “Dobra ali, conheço um outro caminho”, disse ela. E para onde foram, eu conto na semana que vem.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Meu post mais lido está no clube de mulheres

Este blog tem um campeão de acessos. Em abril do ano passado, postei o relato de uma senhora casada que apaixonou-se por um modelo, em uma festa só para mulheres e desde então, mensalmente, este texto recebe quase uma centena de visitas. No mesmo dia de sua postagem e nos posteriores, foram quase uma dezena de e-mails perguntando se eu tinha o endereço de algum clube desta natureza em Porto Alegre, cidade onde teria acontecido a festa descrita no post.

Amigas que já foram a despedidas de solteira, confessam que o ambiente geralmente é brega e os dançarinos gays enrustidos. Mas a atitude voyer - espiar o tabu que rebola a sua frente - lambuzado com óleo de amendoas "Paixão",  é o que seduz a maioria. Depois, voltam para casa onde as aguardam seus parceiros com os cheiros do cotidiano.

OBS:  a história de sedução entre dois colegas de trabalho, está a mil! Aguardem que nas próximas horas postarei novidades. A coisa está esquentando!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Verdureiros emo, quem diria?

Após um fartão de gauchismo farroupilha, na terça-feira nublada, cara feia de peão e prenda nenhum botar defeito, estava eu a caminho do trabalho quando, defronte a um mercadinho próximo a minha casa, vi dois jovens que desgarregavam caixas de verduras e frutas de uma velha Kombi. Tudo muito normal, não estivessem rigidamente trajados à moda "emo", ou seja, jeans femininos justos, lenços coloridos, cabelos naquele estilo lambido, a cobrir os olhos. Como seu morador da zona rural da região metropolitana, a cena é insólita.

Sem medo do peso, os rapazes mantinham o padrão emo core - ar de quem comeu e não gostou, ouvindo uma música de guitarras pesadas, vocal dramático e letras simplórias de amor. Minha mulher percebeu que, apesar do trabalho braçal, estavam maquiados como para uma festa, às 6h45min! Brilho nos lábios, rímel nos olhos e aquele caminhar delicado - sensível - como denominam os meninos e meninas desta tribo sexualmente flexível.

A mercadoria, pelo que pude perceber entre xuxus, alfaces e bananas,  era colorida e fresca. Muito fresca. Sem câmera fotográfica, não pude fotografar a dupla que, segundo meu colega Celso Fabiano, por vocação e cultura, "adora verdura".

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Quando elas querem uma aventura - Parte II

Se você não leu a primeira parte, clique aqui

A viagem foi tranquila. Ambos concentrados na extensa agenda do cliente e material para divulgar à imprensa. Durante o evento, ela o procurou duas vezes, mas discutiram apenas assuntos profissionais. Aliviado, achou que compreendera que eram muito amigos, além de colegas e sócios. Uma aventura estragaria tudo. Ao final do dia, durante o jantar, cercados de colegas, não trocaram sequer um olhar. Quando se dirigiu ao buffet de sobremesas para servir-se de um prosaico pudim de leite, não percebeu que ela aproxima-se e discreta, colocava em seu bolso um pequeno pacote. “Estou subindo e te espero lá. Não vá me decepcionar”, sussurrou.

Estavam hospedados no mesmo andar. Entre o pânico e a vontade de atender o pedido, optou por uma ducha quente, relaxar e dormir. “Sai, tentação!” Não saiu, retornou com toda força, exigia a presença dele. “Abriu o pacote?” perguntou ela, ao telefone. Conferiu o bolso do terno e lá estava, em delicada embalagem, uma diminuta calcinha vermelha. “Gostou da cor? É a única que eu trouxe. Você precisa me devolver. Já!”

O efeito tranqüilizador do banho quente sumiu. Tudo o que pensava era como resistir àquela pressão. Lembrou dos filhos, da possibilidade de uma sociedade que lhe garantia tão bem o sustento em uma vida tipicamente classe média, ser prejudicada por uma experiência inconseqüente. Ao mesmo tempo, a sócia detalhava o que programara para a noite deles. "Estamos longe de casa. Ninguém vai saber de nada", sugeria, transformada em um monolito a empurrá-lo. “Ela me jogou contra a parede”. E para azar dele, a parede era macia, perfumada, quente como o sol da primavera que não queima e faz arder lá no fundo das vontades reprimidas, o calor gostoso da aventura.

Foi sob esse efeito devastador que me ligou na terça-feira. “E agora, o que eu faço?” Conselho bom é aquele que não verbalizamos. E lhe disse que não poderia assumir tal responsabilidade. Afirmei que os leitores de meu blog haviam opinado. Flávio Dutra, queria nomes, "Deus me livre!". Outro repetiu o velho adágio, “Água morro abaixo, fogo morro acima e mulher quando quer dar, ninguém segura,” e uma amiga, também jornalista, Anamaria Bessil sugeriu a ele aceitar a proposta: “Uma vez só, para sentir o sabor, sem machucar ninguém, que mal tem?”

Procurei ser o mais realista possível. Tudo é uma questão de consciência e momento. Apenas ele pode decidir sobre o que é mais importante de ver preservado neste tipo de jogo. Abrir a porta e viver algumas horas de prazer a dois, ou continuar diante da tevê e dormir sem realizar a fantasia da colega. Ainda não sei qual decisão tomou. Não tive coragem de ligar. O marido da sócia - inocentemente, antes desta cena, ligara para meu amigo perguntando se iria à praia com a família. Em caso positivo, queria que dessem uma carona à esposa, já que precisava viajar a trabalho. Imaginem só: ele, a esposa e a sócia juntos na praia. Ou isso acaba em conto erótico - daqueles com muita ação e pouco roteiro - ou vai para a página policial.