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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Socorro! Meu filho está na adolescência!

Enfrento a adolescência pela quarta vez. Explico melhor: meu filho mais jovem está mergulhado até o último fio de cabelo nessa complicada etapa do amadurecimento. Antes dele, meus dois filhos mais velhos também me deram um nó no período da “aborrecência”. Antes deles, é claro, eu mesmo fui adolescente. Pior, nos rebeldes anos 60. Olho para ele e lembro os tempos onde tudo me parecia dramático. Olhava no espelho e não me reconhecia  entre espinhas no rosto. Aliás, que nariz estranho era aquele? Na adolescência se ama ou se odeia demais. O mundo que parecia tão bom, os amigos da escola, os professores legais, os programas com a família, de uma hora para outra, se transformam na mais pura chatice.

As notas na escola lá em baixo, as notas na guitarra lá em cima! You say goodbye, I say hello! Haja ouvidos para tanta dissonância, haja saúde mental e financeira para bancar acompanhamento psicológico, professores particulares e festas da turma. O pelotão de ameaças em repetir o ano avança como também se amontoam os bilhetes da escola, o relaxamento nos cadernos, nas mochilas e por aí afora.

Enquanto isso a contabilidade dos pais - pobres sofredores -, se transforma em vôo rasante no desequilíbrio financeiro. Mesmo que os podem bancar sem dificuldades um adolescente na plenitude da insatisfação, perdem o sono e a tranquilidade. Isso passa... Mas a que custo!

Quantos não pensaram "Conosco será diferente!" Não cometeríamos os erros de nossos pais severos ou frouxos demais. Familiares que não puderam bancar a boa escola, o curso especializado. E agora o que se faz ao ver o filho, do alto de sua soberba juvenil decretar, por exemplo, que será um líder da nova revolução musical? Um beatle melhorado? Um novo Jimmi Hendrix?

E você aí, negociando com o gerente do banco um novo empréstimo para a aula particular, o dinheiro que te pagaria alguns dias em Buenos Aires, ou uma academia para melhorar o corpo que se encaminha para a fase aguda da maturidade (para não dizer velhice).
Sim, pais atentos ou pais omissos enfrentam igualmente a adolescência.  Eu queria sacudir meu filho até o pino da adolescência afrouxar e ser consumido pelos vorazes ácidos estomacais transformando tudo em bosta e xixi. Mas fatalmente seria preso por maus-tratos e ainda ouviria os mais insanos desaforos de meu guri. "Vocês não me amam! Eu nasci na família errada! Eu, eu e Eu" Nós, que nos esforçamos no  politicamente correto. Que temos a plena certeza de sermos muito bons fraquejamos. Eu, por exemplo, ando a beira de um ataque de nervos. Disposto a criar o Clube dos Pais de Adolescentes e Afins.  Quem sabe?

Um comentário:

Gilberto disse...

Colega Ari! Com DOIS adolescente em casa - de 14 e 15 anos - nossa vida se transformou num turbilhão de hormônios. Mau humor e euforia ("eu amo" ou "eu adoro") de acordo com os interesses, se confundem a cada minuto e fica cada vez mais difícil agradar a gurizada. Costumo dizer que, de segunda a quinta-feira, eles não dão a mínima para nós, velhos repressores. Atitude, porém, que muda radicalmente a partir de sexta, afinal, até domingo é tempo de festa, anivesários, encontros no shopping. É difícil ficar indiferente, "manter a linha" e não perder a paciência. Por isso, sou o ficha 001 para inscriçãso no Sindicato dos Desvairados Pais de Adolescentes. Infelizmente na teoria - dos livros e artigos de jornais e revistas - é fácil compreender os adolescentes, ter calma e manter um diálogo racional. Já na prática...