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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Amante e transportador

por Gilberto Jasper(*)
O homem cumpre três funções básicas ao longo da vida: amante, reprodutor e provedor, repetia meu pai. Aos 50 anos, pai de um casal de adolescentes – com 15 e 16 anos –, descobri uma quarta tarefa: transportador.

A cada final de semana, e nas férias também nos dias úteis, circulo pela madrugada de Porto Alegre a percorrer bares, casas de show e prédios particulares para buscar a gurizada nas baladas. Apesar do pouco sono e da vedação à cervejinha, trata-se de uma tarefa gratificante.

Aprendi que o contato com meus filhos nestes momentos é fundamental para o acompanhamento dessa fase tão conturbada, além de permitir o conhecimento dos amigos, além de conferir se a formação ministrada por nós, pais, se consolidou.

O hábito de os colegas passarem os finais de semana em nossa casa ajuda a descobrir a personalidade e os hábitos familiares dos visitantes. É um exercício gratificante, mas há momentos de lamentar o descaso com que esses jovens foram criados.

Já houve caso de coleguinhas que permaneceram um feriadão inteiro conosco sem um único contato dos pais, sequer na chegada a nossa casa. A maioria demonstra uma flagrante carência que choca, constrange.

Hoje, a escola é um lugar onde a gurizada recebe educação, conhecimento, cultura e princípios de convivência social. Pobres dos professores, aviltados pelos baixos salários, acossados por turmas enormes e tendo como agravante a omissão familiar. Alcoolismo, consumo de crack em idade cada vez mais precoce e violência compõem o mosaico de resultados dessa fuga de responsabilidade da família.

Eu e minha mulher batemos longos papos enquanto devoramos nacos de pizzas. Nesta hora, se constata frequentemente a carência de carinho, de cumplicidade sadia, de atenção e, não raro, de um ombro para chorar e ter o consolo poucas vezes observado em seus lares.

Aos pais de primeira viagem, costumo repetir que a eficiência dos conselhos se esgota por volta dos 12 anos. A partir daí, os filhos caminham com suas próprias pernas com base naquilo que ensinamos. De nada adianta cobrar ética, decência e respeito se dentro de casa nós, responsáveis e conselheiros, não somos bons exemplos.

*Grande amigo, colega jornalista e pauteiro do Concriar - abrindo a volta dos inícios dos trabalhos neste espaço.

7 comentários:

Anônimo disse...

Este blog é legal porque encontramos pessoas bacanas como o próprio Ari, que é um sinônimo de jornalismo, pois tem as iniciais da Associação Rio-grandense de Imprensa, e o grande Giba Jasper. O artigo do Jasper presta-se para uma grande reflexão e é uma grande contribuição para os pais de primeira viagem, como eu. Abrações,
Vítor

Anônimo disse...

Este blog é legal porque encontramos pessoas bacanas como o próprio Ari, que é um sinônimo de jornalismo, pois tem as iniciais da Associação Rio-grandense de Imprensa, e o grande Giba Jasper. O artigo do Jasper presta-se para uma grande reflexão e é uma grande contribuição para os pais de primeira viagem, como eu. Abrações,
Vítor

Léa Aragón disse...

É um paizão este Giba. Quem dera todas as crianças pudessem ter ppais assim. Sou uma admiradora declarada do casal. Bjo e espero que a Laura e o Henrique valorizem esta joia preciosa que receberam de Deus: pais que se preocupam DE VERDADE com eles.

Arizinho disse...

Tens razão Léa. Só espero que o autor deste magnífico artigo, não esteja a concentrar-se exclusivamente na atividade de transportador...

Christian disse...

Bela reflexão. Vejo que estou chegando neste caminho das indas e vindas das festas e casa de amigos.
Por vezes me acho distante de mais devido ao despreendimento que eles apresentam. Tanta independência me faz esquecer que ainda continuam tão criança e frágeis como nós ainda somos. A diferença é o tempo e os calos nas mãos. Parar pra pensar o que falta dar a mais e ler textos assim nos traz de volta a realidade que não podemos perder jamais a atenção e a reflexão.
Vamos sempre torcer para que eles fiquem bem. Ao menos bem melhor do que somos. (eles que não escutem mas não precisa muito)
Abração
Christian Jung

Sandra Rodrigues disse...

Só li agora mas concordo com a maioria. O Giba tem um texto soberbo, assim como o dono do Concriar que não tem se dedicado tanto às palavras, como merecemos.
Gilberto com sua linda companheira Carmen souberam estender o amor dos filhos para outros meninos e meninas. Isso é muito legal ! Parabéns
Sandra Rodrigues

Flávio Dutra disse...

Minha solidariedade, Giba. Já passei por todas essas fases. E sobrevivi!