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quinta-feira, 16 de abril de 2015

Quem diz o que pensa ...

Quantas vezes dizemos coisas sem pensar, sem um mínimo cuidado com prováveis constrangimentos. Comentários inocentes, mas danosos tipo “Não me diga que estás grávida!” àquela amiga que estava apenas gordinha. Pior fiz eu, ao cruzar com uma ex-colega dos tempos de bancário. Esperei quase 40 anos para cometer a mais estúpida mancada. “Continuas com a mesma elegância de sempre”, elogiei, concluindo em messiânica falta de tato.

“Este jovem é teu filho?” Com um com sorriso desconcertado, respondeu que os filhos estavam criados. Era viúva e aquele "amor novo", a salvara da depressão. Fiquei eu ali, a procurar, uma cartola de mágico que me puxasse o asno, em que eu me transformara. Outra vez, na saída da escola, todo pimpão com Tárik, meu filho caçula, uma senhora sorriu,simpática, e elogiou. “Como é lindo seu netinho”. Lembrei minha ex-colega de Banco e segui em frente.

Na semana passada, uma amiga, torcedora do Grêmio, concluía uma série de exercícios físicos  no CETE, em Porto Alegre, quando o professor – que conversava com um amigo a provocou sobre a classificação de seu time, Gauchão. “Tens razão, estamos mal. Mas pior foi o Inter que teve uma mãozinha do juiz”.

Foi aí que o tal amigo do professor, que apenas acompanhava a conversa se apresentou. “Muito prazer, sou Diego Real, árbitro que apitou o jogo do Inter”. e lá ficou ela, com aquele ar de campeã mundial de bola-fora, em um torneio sem arbitragem, é claro.

O desculpável é que, na grande maioria destes casos, as pessoas não agem por mal. Querem ser simpáticas e buscam um comentário lógico e racional para quebrar o gelo. E criam uma barreira fria. A fulana está barrigudinha, então é gravidez. Comentários de futebol? Querem coisa mais descompromissada? Aquela provocação básica com um amigo. Quem poderia imagina que juiz de futebol, além de não ter mãe, tem amigos e pratica exercícios?

Por essas e outras, ando contido em meus comentários. Até porque a grande maioria adora me classificar como um gordo a beira da morte. “Ari cuida do coração”. “Teus joelhos vão se desmanchar”. “Te cuida, as mulheres não curtem gordinhos”.  “Deve ser difícil comprar roupas, não é?” “Anota esse chá emagrecedor”. “Vou te passar o telefone de minha nutricionista” e tantas dietas e alertas assustadores. Como se não soubessem que, deliberadamente, escolhi ser gordo. Viver perigosamente.

Ora, que gente sem noção!

Um comentário:

flávio Dutra disse...

Sacanagem, Ari. Me tirou a história da Lem com o juiz.