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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Ana, outras mulheres e o par perfeito

"Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa
Tudo sempre passará..."

A canção, já antiga, veio em ondas encharcando e sacudindo a paisagem bonita. Férias! O mar que tantos anos não visitava. Retornava do auto-exilio de quase um ano, dedicando-se exclusivamente ao trabalho. Eram preciso resolver ainda muita coisa, mas na praia a brisa gostosa com cheiro de maresia e vida, lhe daria mais energia. O vai e vem que arrasta algas na areia deixava lembranças de momentos gostosos e felizes. Caminhadas, passeios de escuna, almoços e jantas especiais. Sempre bem acompanhada por alguém que deixara de ser importante, roubado nas águas do tédio ou do desamor.

Como uma onda, outras viriam, semelhantes, mas nunca iguais. Isso a consolava. "Tudo que se vê não é igual ao que a gente viu a um segundo" e assim, preparava-se para criar o novo querer que poderia submergir como em outras vezes ou aprender a renovar-se no caminho de uma improvável eternidade. Solidão, em tempos de veraneio pode ser o princípio de algo promissor. Sim, pensava no amor como alimento e remédio, onde receita e bula são fundamentais. Sabia também que nestes casos, as receitas nem sempre dão certo e ler a bula, pode provocar psicológicos efeitos colaterais. Mas quem sabe, antes do carnaval conheceria alguém interessante, pelo menos para ir a uma sorveteria, a um chope ao final da tarde. Que pagasse a conta, que fosse bonito. Que tivesse carinho e disposição para um sexo bom!

Porque não pensar assim? Sempre admirou mulheres de personalidade forte, que se destacam em espaços antes tipicamente masculinos. Queria espelhar-se nelas (sem saber da vida amorosa dessas damas). Homem para acompanhá-la, só do tipo moderno. E passou a construir o que considerava o protótipo ideal de macho fashion: educado, culto, que aceite uma parceira inteligente, sem sentir-se humilhado caso ela tenha cargos, salários e projeção superiores. Não queria um acomodado explorador de mulheres também. Lembrava que o seu ex, por exemplo, não admitia que ela lhe pagasse um simples lanche. Moral da história: ficaram anos sem férias, porque ele estava sempre sem dinheiro e assim, caíram em uma rotina bárbara e deprimente.

Homem deveria ser assim como, como... E não lembrou de nenhum homem que servisse como um bom exemplo. É claro, idealizava um hibrido de macho que concentrasse a inteligência, a fina ironia de um Woody Allen, por exemplo. Mas com as feições do Giannechi, é claro (e sem aquele ar de irmãozinho querido). Ah! E que cozinhasse como o Olivier Anquier, mas que não fosse chato. Poeta como Vinicius de Morais, sem ser galinha. Assim, lá se ia outro castelinho de areia, à beira-mar, a levar sua fantasiosa escultura do macho perfeito. Um príncipe-frankestein romântico!

Escrevo inspirado em uma colega de trabalho, a Ana Bessil, que reconhece na mulher atual uma constante e às vezes, devastadora insatisfação. A fêmea que busca seu par, como quem deseja um manequim sem figurino. A minha personagem, tem a canção ideal a lhe inspirar, cultura e disciplina. Mas esquece que não "não adianta fugir, nem mentir para sim mesmo. Há tanta vida lá fora, aqui dentro, sempre, como uma onda no mar." Perfeição? As ondas que lhe lambem os pés podem virar um tsunami existencial. Louco, pateta, sexy, anjinho, carinhoso, gordo, magro, machão, milionário ou pobretão. O ideal será sempre aquele com os pés no chão e o coração batendo em nome de algo chamado reciprocidade... Anotem essa palavra. Meditem, mulheres. Sem muito esforço. É verão! Tempo de fugir do estresse.

3 comentários:

Cabo Alberto disse...

MAS BAH GURI!! SE OLHA PRO LADO ENCONTRARIA VC DANDO SOPA..E SE SUBIR UM POUQUINHO ME ENCONTRARIA AQUI NUM CANTÃO DOS INGLESES...KKK ABS

Gilberto disse...

Amigo Ari! Lamentavelmente muitos homens e mulheres ficam sozinhas por muito tempo - ou durante toda a vida - justamente por carregarem, ao longo da sua existência, um modelo "ideal". Quando saem à noite, no trabalho, nas férias e em qualquer lugar, o "modelito" é colocado sobre o (a) candidato (a) na vã ilusão de que o "modelo" cairá como uma luva, feito aquela calça jeans em que nem bainha precisa ser feita. Doce ilusão! Assim, a vida pessa, os anos dourados se vão e a vã esperança se esvai como o frescor da pele. Por que não aceitar as pessoas como elas ralmente são. Defeitos? Todos têm. Virtudes? Com boa vontade e paciência encontraremos algumas. Bom senso, equilíbrio e tolerância nas escolhas resultará na economia de crises, na redução das frustrações e na diminuição das rugas que teimam em denunciar nossas desilusões!

Ari Teixeira disse...

Sei não... Elas vão nos achar uns tios talvez simpáticos e seguiram adiante em busca do príncipe encantado. Ingleses? Acho que vai buscar algo mais nobre... Se tivermos paciência, vamos pegá-las na volta. Tostadas de sol, sal e decepção. Aí, sim... Mas é preciso paciência. Ainda bem q o nobre Cabo Alberto está de boné e bem sentado.